NÓS, OS BRASILEIROS: OS PERPLEXOS SEM GUIA

O Guia dos Perplexos foi escrito no século XII pelo sábio rabino Moshe ben Maimon, mais conhecido como Maimônides. Trata-se de uma obra seminal da cultura judaica, que procura explicar como fica a questão da fé frente a questões objetivas e controversas, tais como: Como começou o Universo? Ele terá um fim? Qual é a natureza do Mal? A complexidade dos organismos biológicos implica na existência de um projeto racional de um “Ser Superior”? E por aí vai.

Enfim, Maimônides, judeu nascido no Califado de Córdoba em pleno renascimento da cultura árabe (naquele tempo não existia o ISIS) foi fundo no tema das perguntas sem resposta e da perplexidade que elas nos despertam e nos acompanha na dura e breve jornada de nossa existência. Teologia com filosofia em três livros, um regalo para quem gosta do assunto.

Mas, ô Madureira, o que tem a ver Maimônides com o Brasil? Tudo. Tudo e nada. Tudo porque somos o país dos perplexos, e nada porque não temos um guia, um manual, um código que nos auxilie a enfrentar toda essa nossa perplexidade paralisante.

Senão, vejamos: estamos numa encruzilhada. Em que tipo de sociedade queremos viver? Na sociedade do juiz Sérgio Moro ou na sociedade do Lula? O pior é que ainda estamos na dúvida sobre que caminho queremos seguir.

A cadeia (com duplo sentido, por favor) de fatos que a Operação Lava-Jato vai derramando, dia após dia, nos confronta com uma situação que por séculos evitamos enfrentar. Somos uma sociedade tolerante com os poderosos, mesmo porque, de quando em quando, eles distribuem migalhas na direção dos miseráveis. Por isso mesmo, os poderosos se acham acima da Lei e tudo podem e tudo fazem, sem medir as consequências. A prisão do banqueiro André Esteves e do empreiteiro Marcelo Odebrecht comprova o que estou dizendo.

Mas um belo dia a conta chega e aí ficamos perplexos feito um cachorro na chuva, ensopados, tremendo de frio e medo, procurando um canto para nos esconder.

O país à deriva, inflação, desemprego, crise política, crise moral, e os poderes da República só pensam no recesso que se avizinha. Que recesso? Como se, com o início do “recesso”, sairíamos flutuando na lama do Rio Doce até depois do Carnaval, desaguando no Oceano Atlântico onde tudo se dissolveria. Ledo e ivo engano.

O único eixo dinâmico do Brasil que está funcionado é o Poder Judiciário. O Judiciário cumpre o papel de avalista da democracia no país. O Executivo e o Legislativo se encontram usurpados, reféns da corrupção mais vil e da incompetência mais primária. Eles contam com a nossa inação, a nossa perplexidade.

Os problemas são de tal magnitude, de tal complexidade, que os intelectuais mais confiáveis e honestos confessam que não conseguem enxergar nenhuma saída para esta “camisa de sete varas” em que nos metemos.

Tudo bem, mas não é virando as costas para os nossos problemas que eles vão desaparecer. Recesso? Vocês estão malucos?

E tenho dito.

 

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