CHICO BUARQUE – A POLÊMICA

No meu último “Eu tenho dito” de 2015, publiquei um comentário sobre o entrevero entre o Chico Buarque e um grupo de rapazes num fim de noite no Leblon, Rio de Janeiro. Para quem não viu, se é que alguém não viu, CLIQUE AQUI.

Espantado com o clima agressivo e quase belicoso entre as partes, publiquei um comentário cujo link, para quem também não viu, CLIQUE AQUI.

Desde então, esse meu vídeo-post desencadeou uma surpreendente polêmica na rede. Polêmica cuja virulência de alguns participantes chegou mesmo a preocupar a minha jovem e heroica equipe de internet. “Marcelo, você precisa fazer alguma coisa…”, me pediram assustados. Não posso deixar de escutar a minha turma, afinal são meus fiéis colaboradores e conhecem o mundo virtual.

Calma pessoal, vamos por partes – como dizia Jack, o estripador. Só para registrar: essa blague é de minha autoria, a escrevi para o Faustão quando era seu redator nos anos 90.

Pois bem. Achava eu que aquilo que estava registrado em áudio e vídeo bastava, mas talvez precise ser mais claro e sublinhar alguns pontos:

Não me interessa quem chamou o “outro” de “merda” primeiro. Isto não são termos de discussão política. Aliás, de discussão nenhuma. E reafirmo: Chico Buarque não é um merda e jamais será. Basta ver a sua obra musical. A literária me abstenho de comentar. Da mesma forma que Wagner ou Ezra Pound não foram uns merdas apesar de suas posições antissemitas.

Numa democracia, a pessoa Chico Buarque e o Zé Mané da esquina têm todo o direito de ser comunista, fascista, social democrata, preto, cafuzo, vascaíno, judeu, macumbeiro, gay, hetero ou hermafrodita. É um direito. É um direito, respeitadas as regras do jogo democrático. Exatamente como não acontece na Venezuela.

Se temos posições divergentes de algumas pessoas, enquanto seres civilizados, cultos e inteligentes, utilizamos as armas dos argumentos que são suficientes para tentar convencer ou, no limite, tentar entender o pensamento daqueles que não comungam dos nossos pontos de vista. Da discussão, do debate, da conversa, vem a luz.

Agora, vamos aos fatos virtuais. Das centenas de milhares de internautas que tomaram conhecimento da minha manifestação, uma ampla maioria, cerca de 90%, não se manifestou. Posso inferir, portanto, que silenciosamente concordam comigo ou então não veem sentido em perder mais tempo com o assunto. Aliás, estes têm toda a razão. Daqueles que se manifestaram, ou seja, “curtindo” ou “descurtindo” o assunto, uma maioria de 57% apoia o meu ponto de vista.

Nos comentários escritos, no entanto, uma vasta, enorme, acachapante maioria não só discorda de minha opinião como lança mão de um discurso agressivo, chulo, mal-humorado, rancoroso e sobretudo demonstra enorme ignorância política, histórica e cultural. Isso para não falar do precário conhecimento de nossa gramática e ortografia. É claro também que, em sua maioria, se utilizam do anonimato, tão característica dos “valentes de internet”.

Essa é a famosa “minoria gritona”, que tanto assustou a minha rapaziada, mas não me mete medo nenhum. Aliás, não deve meter medo em ninguém. Quem acha que essas pessoas têm tanta influência na “rede” é porque ainda não entendeu a dimensão que a internet tem.

São apenas uma minoria. Só isso: minoria.

E tenho dito.

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