E agora, Madureira? O que vai acontecer?

07-06 bandeira

Apesar de não ser pitonisa, tenho acertado bastante nos últimos tempos. Não se trata de nenhum dom sobrenatural. Nada além do que cultivar os hábitos de informar-se, observar, deduzir, intuir e, o mais importante, formular hipóteses e testá-las ao longo da jornada.

Quem assistiu a minha participação naquele já distante Manhattan Connection em outubro de 2010, deve lembrar. Afirmei que o Brasil era governado por uma quadrilha de cafajestes e que levaria gerações para o país se recuperar dos danos causados pelo lulopetismo. Essas afirmações me custaram muito caro, principalmente na profissão, mas não me arrependo.

Mais recentemente afirmei que o impeachment era apenas mais um capítulo da novela e que a única alternativa era seguir rigorosamente a ordem constitucional e que, mesmo assim, não seria nada fácil. Adverti que, com a saída do PT e seus capangas do poder, nos confrontaríamos com as reais dimensões da devastação na nossa economia, na nossa política e na sociedade.

O que se coloca para os brasileiros agora é arregaçar as mangas para uma longa e penosa reconstrução. Os próximos anos serão muito difíceis e o Brasil irá na mesma direção da operação Lava Jato e congêneres. Se forem levadas às últimas consequências, quem conseguirá sobreviver entre os políticos, empresários e gestores públicos e privados envolvidos?

O Brasil arcaico vai se desmanchando ao mesmo tempo que algo novo vai se formando. Só não se sabe bem o quê.

Quanto mais a operação Lava Jato e suas coirmãs vão se aprofundando, maior a devastação na plutocracia nacional, criando um hiato na política institucional. Acontece que na política não existe o espaço vazio.

Para os novos atores da política que vão chegar é que proponho esta provocação acerca do exercício do poder e da tirania, uma tentativa para não repetirmos no futuro os equívocos do passado.

Refiro-me ao conceito moderno de tirano/tirania, em oposição ao modelo da Grécia Clássica que deu origem aos termos.

A tirania desperta o ditador que existe dentro de cada um de nós e a ditadura é uma forma autoritária do exercício do poder e, por isso mesmo, traz consigo um grande risco de se incorrer em enormes equívocos e injustiças.

A tirania leva ao erro, pois o tirano se isola no poder a salvo de qualquer crítica ou julgamento.

A tirania é diretamente proporcional ao poder que se tem e pode ser horizontal ou vertical. A tirania pode ser exercida no casamento, na família, no trabalho e, claro, na política. O exercício virtuoso do poder requer entender e controlar essa tirania. Liderar não é ser tirano; ao contrário, a liderança exige o convencimento político.

Combater a tirania é um exercício permanente que revela o estadista.

Vale a pena dar uma espiada em My Life, livro de memórias do ex-presidente Bill Clinton, um verdadeiro estadista na minha opinião. Em My Life, um tratado de prática política, Clinton discorre sobre poder e tirania usando como exemplo a sua experiência pessoal no episódio com a estagiária Monica Lewinsky, essa mesma, a do charuto: “Fiz porque podia, mas… não devia”. O poder é sedutor, produzindo o que se chama de mais-valia erótica. Poder, tirania e vaidade. Ao longo desse raciocínio, Bill Clinton nos explica por que “a política é o show business dos feios”.

No exercício do poder há que ser vigilante com a tirania, a soberba, a vaidade e sempre se precavendo contra os áulicos e aproveitadores que se aproximam em alcateias.

Como exercer o poder de forma virtuosa? Sendo modesto, escutando e observando em torno, jamais se isolando da realidade. E, quando errar, ter a grandeza de reconhecer o erro e voltar atrás. Tudo isso sem deixar de ser ousado.

O estadista virtuoso não permite que a tirania lhe suba à cabeça.

E tenho dito.

929
ao todo.

4 Comentários

  1. MªConceição Rocha Ferreira   •  

    Caro Marcelo!
    Não vejo apenas negativismo em tudo o que tem se passado no Brasil! Tem sido difícil para todos, eu sei! Mas por um lado a operação lava Jato, tem sido uma forma de mostrar a vocês e ao mundo que no Brasil existem leis e que afinal nem toda a gente fecha os olhos para essa corrupção. Ainda esta semana o ex presidente do BES foi condenado em pagar ao banco portugal 4 milhões de euros…E o que ele pôs ao bolso?E quantos milhões ele lucrou com esquemas fraudulentos que tem vindo a fazer? E vai pagar como? Claro com o dinheiro que roubou! E quem paga? o Zé povinho! Como vê! Não é só no Brasil!
    Curiosamente quando falam de Bill Clinton penso logo na estagiaria rss, abuso de poder é que se vê mais infelizmente !
    Quanto a ter sido prejudicado na carreira por manifestar sua opinião, lamento, mas penso que não será caso único! A liberdade de expressão ainda é assustador para quem tem uma mente vazia!
    Sei bem de quem está a sofrer com isso também, não vou mencionar o nome, sou fã dela desde que me conheço como gente! Mas sei que não tem sido fácil para ela, quando um país não respeita opiniões, escolhas e também verdades…!
    Mas o Marcelo sabe de quem falo…não é?
    Escreva sempre….não pare! 🙂
    Atenciosamente Conceição Ferreira ou Rochinha Ferreirinha do instagram 😉

  2. Paulo Pinto   •  

    Raciocínio lógico e sereno. O lulopetismo causou um retrocesso histórico para o país e infelizmente, pagaremos ainda, por bom tempo, o preço dessa inobservância nacional.

  3. marcelo madureira   •  

    Obrigado Priscila !!!!
    beijo
    MM

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