E agora, mané?

LULA, EDUARDO CUNHA, DILMA, TEMER E A CRISE BRASILEIRA.

E agora, Mané? O PT acabou, a Dilma apagou, o Cunha sumiu, seu emprego não voltou. E agora, Mané? E agora, você?

O impeachment da Dilma é só mais uma página virada, assim como a cassação do Eduardo Cunha. Daqui a pouco, tal e qual Itabira, vão ser só um retrato na parede. E como dói!!!

É uma ilusão achar que os nossos problemas acabaram, muito pelo contrário, agora é que vão se agravar.

Um segmento pequeno de nossas “Autoridades” escuta o clamor público. Um pouco ao longe ainda, é verdade. Perplexos, procuram entender o mundo contemporâneo, fazem uma força danada para acompanhar a difusão da informação nas novas mídias. Assistem à participação da sociedade nas discussões, as cobranças, os sistemas de vigilância e controle dos fluxos financeiros. Para a nossa classe política, tudo isso é novidade. O que fica claro é que existe um delay de pelo menos 11 meses entre os políticos e a sociedade. Esse foi o tempo que a Câmara dos Deputados em Brasília levou para defenestrar o Eduardo Cunha.

Os sintomas do Brasil são muitos: desemprego, inflação alta, insegurança, falta de investimentos, falta de perspectivas e, talvez, o mais grave e preocupante de todos: os últimos resultados do IDEB que, junto com o Rombo da Previdência, liquidam com o futuro do País.

As investigações, os inquéritos, as operações com nomes criativos, as conduções coercitivas, as prisões temporárias ou não, os julgamentos e eventuais condenações, tudo isso prossegue nesse folhetim oitocentista. O Brasil continua à deriva no século 19. Qualquer dia vamos ter que usar figurino de época.

Os esqueletos vão saindo do armário: os rombos contábeis, os favorecimentos, os investimentos duvidosos dos fundos de pensão e o assalto, via holerite, aos aposentados endividados. Uma procissão de zumbis engravatados deambula na direção da Polícia Federal. Ninguém consegue dormir direito.

Os municípios, os estados, o Poder Federal. Todos quebrados, fazem contas coçando a cabeça. Parecem até um pai de família assalariado que não sabe como chegar ao final do mês.

Mas tudo isso, como já disse, são apenas sintomas.

Os sintomas incomodam, mas não adianta engolir uma aspirina achando que vai passar. A profundidade e a extensão da crise estrutural da Nação Brasileira são enormes.

Alguns segmentos da população já estão sentindo isso na carne. É o pessoal do setor privado. Precisamos fazer um ajuste severo nos gastos públicos. Os custos da máquina do Estado, as relações trabalhistas anacrônicas, partidos de aluguel e, como se tudo isso ainda fosse pouco, o corporativismo no país, que ainda é muito forte. Todos entendem que é necessário fazer sacrifícios desde que não seja com os seus privilégios.

Estabilidade no emprego, quinquênios, biênios, licenças-prêmios, isonomias, greves remuneradas, aposentadorias privilegiadas. E toca de greves, manifestações, locautes e boicotes, sem falar na baixíssima produtividade. São os ossos da democracia. O clima de incertezas e instabilidade só dificulta a recuperação da confiança no País e a retomada nos investimentos.

O Brasil ainda não derrotou o populismo e a demagogia. Longe disso, continuam muito vivos com Lula e seus capangas, que têm como única possibilidade de sobrevivência a continuação da crise e do marasmo.

Na solidão do gabinete presidencial, em Brasília, a ficha acaba caindo… ou não.

Existe uma distância enorme entre ser presidente do PMDB e ser presidente do Brasil. Temer almeja um lugar digno na História? Vai se transformar de Nosferatu em estadista?

E o Renan Calheiros? Cadê? O que ele quis dizer ao dar posse ao presidente Temer com a expressão “Tamo Junto!”? Como é que se explicam os inúmeros processos de Renan, há anos repousando no STF em berço esplêndido? Aliás, por que ainda nenhum político foi punido pelos tribunais? Ouvi dizer em algum lugar, não sei onde nem sei por quem, que membros do poder Judiciário são citados em delações premiadas. Ou será que no Judiciário brasileiro só existem vestais imaculadas?

Uma coisa é certa: o povo brasileiro não tem direito a foro privilegiado.

Quanto mais grave o quadro, mais dolorosa é a terapêutica. E no momento o único caminho possível é pelo resgate do patrimônio ético do País. Não tem jeito.

E tenho dito.

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