Consulado à brasileira

20161018 corrupcao

O Brasil não tem jeito mesmo. Nosso país tem uma “cultura da picaretagem” que subverte qualquer um. Até mesmo o consulado dos Estados Unidos da América no Rio de Janeiro sucumbiu à bandalheira brasileira disfarçada de picaretagem.

Vamos aos fatos.

Um amigo foi tirar seu visto para os EUA. Ligou seu computador e, pela internet, fez tudo “nos conformes”: preencheu toda a papelada e até assinou eletronicamente os formulários.

Na véspera da entrevista, o pacato cidadão dirigiu-se ao posto consular do Humaitá para as rotinas de identificação: retrato e impressões digitais. Foi atendido no dia e hora marcada (era um domingo, por sinal) por pessoal terceirizado, todos brasileiros. Terceirizar serviços públicos… Pronto, começaram os brazilianismos.

Era só o que faltava para dar início à “ingrizia”. Segundo o moço do guichê, o meu amigo deveria ter levado consigo um “papel impresso” comprovando o seu pedido de visto. Ora bolas! Não bastava o número do pedido feito pela internet? – obtemperou o razoavelmente inteligente cidadão. Não! – respondeu o terceirizado – Tem que imprimir o tal papel que está em anexo no formulário digital.

Mas no estabelecimento consular não existe impressora disponível para o tal procedimento. Discretamente o funcionário terceirizado sugere procurar o chaveiro que funciona quase ao lado da repartição. O chaveiro, curiosamente aberto no domingo, poderia “quebrar o galho” de imprimir uma única folha de papel pela módica quantia de 30 reais!!! Isso mesmo, 30 dinheiros. Cínico, o chaveiro explicou que a quantia de 30 reais era bem razoável, pois a validade do visto é de dez anos, ou seja, a folha impressa sai por módicos 3 reais anuais. Sentindo-se roubado, o indefeso solicitante de visto pagou a quantia e só assim pôde dar prosseguimento ao processo.

Estariam os funcionários terceirizados mancomunados com o chaveiro-achacador? Nem pensar!!! O FBI, avisado pela CIA, já teria dado um jeito na quadrilha.

Vida que segue. No dia seguinte, o mesmo indivíduo dirigiu-se ao consulado propriamente dito para dar continuidade ao processo; a temida entrevista com um funcionário do corpo consular (portanto, um cidadão americano). Ao chegar para o encontro, meu compadre foi informado que não poderia entrar no recinto americano com nenhum equipamento eletrônico, mesmo desligado. Foi então que percebeu que em volta da fila de requerentes de visto havia uma nuvem de indivíduos portando um colete em cores berrantes no qual se via escrito “guarda-volumes”.

Meu ingênuo amigo pensou que se tratava de um serviço oferecido pelo consulado para a guarda de objetos. Qual o quê! Tratava-se de mais um “serviço terceirizado”. Tudo muito organizado e operacional, pagando-se a quantia mágica de trinta reais!!!! Detalhe: isso tudo acontece na porta do consulado mais bem policiado do Rio de Janeiro!!!!

Para piorar a situação, o meu considerado tinha uma mochila com notebook, ipad e o escambau. E, segundo o mesmo guarda-volumes colorido, ele só poderia deixar o celular. No caso de mochila, ele teria que ir até a loja matriz do serviço, na rua Santa Luzia, vizinha ao consulado. Curiosamente o estabelecimento comercial era mais um chaveiro que se prontificou a guardar a mochila por módicos 35 reais!!!!

Conformado e precisando viajar, o cidadão pagou a quantia e entrou no consulado, onde foi atendido e obteve o visto em menos de 15 minutos. Portanto, pagou 35 reais para o “chaveiro” guardar os seus pertences por menos de um quarto de hora.

Resumo da ópera: vai dizer que o consulado americano nem desconfia que esses absurdos acontecem na porta do consulado? Vai dizer que alguém(ns) não descolam “algum qualquer” por fora com esses serviços informais de impressão e guarda-volumes? Será que não tem algum funcionário americano participando do esquema?

A conclusão é uma só: no Brasil, até no consulado americano o cidadão tem que pagar “cervejinha” para resolver os seus problemas.

E tenho dito.

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