Nostradamus Tabajara

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Não sou adivinho, não sou pitonisa, tampouco sou o Nostradamus nem tenho vocação para cartomante. Mas quem acompanha meus escritos e vídeos percebe que há muito tempo consigo antecipar o que vem acontecendo no Brasil.

Não me acho o Sr. Fudêncio da política, longe disso, mas não é difícil fazer análise prospectiva. Basta um pouco de dedicação, disciplina para acompanhar os fatos, prestar atenção nos detalhes, que sempre “dizem” muito. Em seguida, juntar tudo no liquidificador, bater bem e refletir um pouco sobre o conjunto. Por final, o mais importante: formular algumas hipóteses.

Procuro então me debruçar para ver quais dessas hipóteses são mais prováveis de acontecer. Aprendi isso trabalhando no Departamento de Planejamento do BNDES na época em que a instituição formulava a política industrial brasileira.

Muito bem. Como disse anteriormente, a crise iria se agravar depois das eleições.

Por quê? Porque uma vez que o setor privado já vem fazendo um forte ajuste, agora o setor público (que não é eixo dinâmico da economia, mas tem um papel significativo por conta do seu tamanho) tem que operar o seu ajuste. Por bem ou por mal. As coisas por aqui no Brasil de um modo em geral só acontecem “por mal”.

Vamos por partes. Estados, cidades e a Federação estão quebrados, é fato.

Medidas de cortes nos gastos públicos exigem sangue, suor e lágrimas dos brasileiros e chegou a hora dos trabalhadores do setor público, funcionários que receberam aumentos e benefícios extraordinários, obra do populismo, custos estes que o Estado não tem como arcar. E, mesmo que pudesse, não deveria. O aparelho de Estado brasileiro é ineficiente e incompetente, portanto disfuncional e inadequado. Não serve à Sociedade que o sustenta.

As investigações de atos de corrupção agora chegam aos políticos do PMDB e outros sócios menores do lulopetismo. A classe política e mesmo muitos membros do STF não têm capacidade (quando não interesse) de entender, muito menos de lidar com a complexidade e a dimensão da crise que o Brasil está atravessando.

Neste momento, o símbolo maior do atraso, da venalidade, da impunidade e da corrupção se materializa no presidente do senado: Renan Calheiros.

Renan e seus capangas lutam com unhas e dentes para segurar as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Renan quer desarticular o Projeto de Medidas Contra Corrupção, quer legalizar o Caixa 2 de políticos, quer intimidar os agentes da Lei ao votar a Lei de Abuso de Autoridade, quer aprovar acordos de leniência espúrios com as empreiteiras.

A Operação Lava Jato e suas congêneres se encontram sobre forte ataque principalmente porque Renan Calheiros quer se aproveitar da desmobilização da sociedade civil no período que vai do Natal até depois do Carnaval, e assim dar um fim nas investigações.

Enquanto isso, no Palácio do Planalto, Michel Temer mostra a que não veio. Temer é refém de compromissos nebulosos. De estadista não tem nem o cacoete. Seu governo, chamado com justiça de “pinguela”, vai adernando.

Essa atmosfera política de incerteza e falta de crédito só traz insegurança, portanto não existe perspectiva de uma retomada firme da atividade econômica e do emprego no horizonte. As falências e o desemprego empobrecem o país como um todo. O país retrocede na Educação, na Saúde, na sua Infraestrutura e na Segurança Pública enquanto o resto do mundo avança. Ou pelo menos não dá marcha a ré, já que temos um Donald Trump para complicar as coisas.

A Lava Jato tem que ir até o final custe o que custar. Se por acaso Michel Temer estiver envolvido com atos ilegais, que pague por isso. O que interessa é a Constituição e a obediência às leis, que devem ser iguais para todos.

E assim vai ser, pelo menos até 2018, na expectativa de eleger um governo e um Congresso em consonância com os anseios da sociedade brasileira.

A política, expurgada dos maus elementos, poderá contar com novos atores comprometidos com o Brasil. Esse é o melhor cenário. Só aí então começa a dura caminhada na direção da reconstrução do Brasil.

E tenho dito.

488
ao todo.

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