A Babilônia das loucas de Brasília

Em uma conversa bem humorada, Marcelo Madureira aponta as diversas semelhanças entre o enredo da trama das nove ‘Babilônia’ e a péssima novela do governo Dilma Rousseff. Difícil mesmo é identificar quem são os vilões e os mocinhos dessa embaralhada novela rocambolesca de Brasília. E mais: o candidato a Panaca da Semana, beneficiado pelo programa ‘Meu Triplex Minha Vida’, quer esvaziar os protestos de 16 de agosto. Acompanhe na íntegra ‘O Belo e a Fera’ com Joice Hasselmann. ASSISTA.

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É CARNAVAL EM BRASÍLIA

Atravesso o carnaval em Brasília. Meus sogros e cunhados moram aqui há muitos anos, pode-se dizer que são pioneiros da capital federal. Escondido em algum lugar do Lago Sul, cercado de livros, filmes e crianças, escuto ao longe os ecos da folia de Momo. Trancado no escritório, os sambas-enredos que vêm da televisão na sala perturbam a minha leitura. E pior, assim, ao longe, se parecem todos rigorosamente iguais.

Domingo de manhã, acordo cedo e pego o carro do sogro emprestado. Circulo por uma cidade deserta. Deserta e morta. Ou será moribunda? Passando em frente do Palácio do Planalto o meu sentimento é de melancolia e solidão. Dois Dragões da Independência fingem tomar conta de uma casa arrombada. O Palácio do Itamaraty, decadente, mostra o seu espelho d’água seco, parece uma teta cansada. O Congresso Nacional, com seus anexos, cresce feito uma favela. O Senado Federal, cujo orçamento é maior que o de muitas das grandes cidades brasileiras, é uma excrescência. Tem nutricionistas, engenheiros, gráficos, ascensoristas e uma milícia própria cujo salário inicial é de 18 mil reais.

Brasília não existe. Brasília é uma abstração. E visto daqui, do Planalto Central, o Brasil também é uma outra abstração. Brasília e o Brasil vivem uma contradição. Um não representa o outro.

Concluo que a construção de Brasília foi um imenso equívoco. Da construção de Brasília vieram as empreiteiras, o corporativismo dos funcionários públicos sem vocação, os gastos públicos descontrolados, as mordomias, a inflação, o patrimonialismo sem fronteiras. Não é à toa que Brasília tem a maior renda per capita do país.

Brasília me lembra também o caso Ana Lídia. Em setembro de 1973, uma menina de dez anos foi sequestrada, torturada, estuprada e morta. O caso nunca foi solucionado. Entre os principais suspeitos estavam Alfredo Buzaid Jr., o Buzaidinho, filho do então ministro da Justiça, Eduardo Ribeiro Rezende, filho do então líder da Arena (partido da situação), o senador Eurico Resende e, last but not least, Fernando Collor de Mello, à época com 24 anos. Collor de Mello é ex-presidente impichado e atual senador da República.

Brasília é a capital federal da impunidade.

E tenho dito.