Politicamente correto

O Carnaval no Brasil começou em 1500, e desde então nós vivemos “carnivalizados”. Seja na saúde, na habitação, na política, segurança, no emprego, na ciência… tudo é carnaval, menos na cultura. A cultura é coisa séria, onde sempre se tem verba na jogada.

É CARNAVAL EM BRASÍLIA

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Atravesso o carnaval em Brasília. Meus sogros e cunhados moram aqui há muitos anos, pode-se dizer que são pioneiros da capital federal. Escondido em algum lugar do Lago Sul, cercado de livros, filmes e crianças, escuto ao longe os ecos da folia de Momo. Trancado no escritório, os sambas-enredos que vêm da televisão na sala perturbam a minha leitura. E pior, assim, ao longe, se parecem todos rigorosamente iguais.

Domingo de manhã, acordo cedo e pego o carro do sogro emprestado. Circulo por uma cidade deserta. Deserta e morta. Ou será moribunda? Passando em frente do Palácio do Planalto o meu sentimento é de melancolia e solidão. Dois Dragões da Independência fingem tomar conta de uma casa arrombada. O Palácio do Itamaraty, decadente, mostra o seu espelho d’água seco, parece uma teta cansada. O Congresso Nacional, com seus anexos, cresce feito uma favela. O Senado Federal, cujo orçamento é maior que o de muitas das grandes cidades brasileiras, é uma excrescência. Tem nutricionistas, engenheiros, gráficos, ascensoristas e uma milícia própria cujo salário inicial é de 18 mil reais.

Brasília não existe. Brasília é uma abstração. E visto daqui, do Planalto Central, o Brasil também é uma outra abstração. Brasília e o Brasil vivem uma contradição. Um não representa o outro.

Concluo que a construção de Brasília foi um imenso equívoco. Da construção de Brasília vieram as empreiteiras, o corporativismo dos funcionários públicos sem vocação, os gastos públicos descontrolados, as mordomias, a inflação, o patrimonialismo sem fronteiras. Não é à toa que Brasília tem a maior renda per capita do país.

Brasília me lembra também o caso Ana Lídia. Em setembro de 1973, uma menina de dez anos foi sequestrada, torturada, estuprada e morta. O caso nunca foi solucionado. Entre os principais suspeitos estavam Alfredo Buzaid Jr., o Buzaidinho, filho do então ministro da Justiça, Eduardo Ribeiro Rezende, filho do então líder da Arena (partido da situação), o senador Eurico Resende e, last but not least, Fernando Collor de Mello, à época com 24 anos. Collor de Mello é ex-presidente impichado e atual senador da República.

Brasília é a capital federal da impunidade.

E tenho dito.

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VALE TUDO NO CARNAVAL BRASILEIRO

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Este ano, na Sapucaí, a Beija-Flor de Nilópolis vai desfilar com o seguinte enredo “Um griô (homem sábio) conta a História: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha da nossa felicidade”. Para tanto, a escola de samba recebeu 10 milhões de reais de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

Teodoro é o ditador da Guiné Equatorial há 35 anos. O jornalista Ricardo Noblat leu a história na revista Forbes.

A Guiné Equatorial é um dos países mais pobres da África, ser um dos mais pobres da África não é pouca coisa. Enquanto a maioria dos 770 mil habitantes guineenses vive no maior miserê, o poderoso Nguema é o oitavo governante mais rico do mundo. Obiang Nguema também é famoso por não respeitar os direitos humanos e tocar o terror nos guinéu-equatorianos. Já foi condenado por isso na justiça da França. A fortuna do Teodoro Mbasogo é calculada em US$ 600 milhões, portanto gastar 10 milhões de reais é bobagem para o soba africano. No entanto, duvido que ele tenha tirado essa grana da sua conta bancária, já que o Tesouro do país está à sua disposição.

Como não poderia deixar de ser, Teodoro é chapa do Lula e da Dilma, que, inclusive, já visitaram e assinaram tratados de cooperação com a Guiné.

De uma feita, Lula visitou Teodoro na companhia de um diretor da empreiteira Norberto Odebrecht. É preciso investigar as andanças de Luiz Inácio e da Odebrecht pela África. Uma fonte me confidenciou que este é o mapa da mina. Por conta do controle dos poderes por ditadores africanos amiguinhos, é lá que Lula pai e Lula filho realizam as suas maroscas, livres das investigações da imprensa abelhuda e golpista.

Políticos autoritários e populistas adoram se auto-homenagear através das escolas de samba. O mesmo Lula já foi enredo da Gaviões da Fiel em 2012. Só falta agora a Dilma, o enredo pode ser “Não vai ter Apagão”; para carnavalesco recomendo o João Santana e o patrocínio só pode ser da Petrobras.

E tenho dito.

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