Politicamente correto

O Carnaval no Brasil começou em 1500, e desde então nós vivemos “carnivalizados”. Seja na saúde, na habitação, na política, segurança, no emprego, na ciência… tudo é carnaval, menos na cultura. A cultura é coisa séria, onde sempre se tem verba na jogada.

Cultura é novela, e novela é cultura

teatro

A situação do Brasil é muito complicada. Temos um governo provisório, pelo menos até o julgamento definitivo do impeachment pelo Senado. A situação das contas públicas é gravíssima. O déficit público é monstruoso. Medidas duras e impopulares terão que ser tomadas antes que as finanças do país entrem em colapso. Para isso precisa o governo de apoio do Congresso Nacional.

O nosso Parlamento, por sua vez, vive um momento de instabilidade. Vários deputados e senadores estão apreensivos sob a ameaça da Justiça na operação Lava Jato.

A meu juízo, o governo errou ao sucumbir à classe artística. Abriu um precedente perigoso quando vai ter que tomar outras medidas que irão desagradar muitos outros segmentos da vida brasileira. A sociedade precisa entender que não se trata de uma política intencional de maldade “neoliberal assassina”, mas as circunstâncias assim a exigem.

Para ser entendido e apoiado pelo conjunto da Nação, o governo precisa estabelecer um canal direto com a sociedade, esclarecendo com simplicidade a natureza e a dimensão dos nossos problemas.

Até o momento prevalece a narrativa (como se diz hoje em dia) petista de “golpe”, quando, na verdade, além do ataque virtual à democracia e ao código penal, o lulopetismo destruiu literalmente a União e maculou seriamente a reputação do Brasil no exterior.

O governo tem que adotar uma política de comunicação pró-ativa e intensiva. Lançar mão do “papo reto”, claro e direto. A batalha pela opinião pública precisa ser ganha.

As medidas amargas de austeridade tem que ser debitadas na conta do PT e do lulopetismo simplesmente porque esta é a verdade.

O único que fez uma manifestação embasada e coerente em defesa do Ministério da Cultura foi o Gabeira, que, por sinal, não é artista.

Ao incorporar o MinC ao Ministério da Educação, o governo Temer deveria ter anunciado também uma política cultural em tempos de crise. Ou seja, apoiar prioritariamente as manifestações culturais que sem o patrocínio do Estado não se sustentam. Museus, bibliotecas públicas, orquestras sinfônicas, obras do patrimônio histórico e artístico, manifestações folclóricas regionais e por aí vai…

Ficam de fora as atividades artísticas com fins comerciais e promocionais, tais como shows, teatro, filmes e afins. Estas ficariam a cargo de patrocínio privado e sem o benefício da renúncia fiscal ou qualquer outro apoio estatal.

A classe artística se mostrou, em sua maioria, agressiva e intolerante. Não apresentou contraditório, não propôs uma negociação ou alternativas. Construíram uma pseudounanimidade na base da intimidação. Os artistas mostraram, através de um corporativismo rasteiro, que se consideram donatários da cultura brasileira. Não são.

Ninguém da categoria teve a coragem de apoiar de público a medida do governo. Só em conversas particulares, aos cochichos. No máximo, algumas manifestações ambíguas.

Na minha modesta opinião, o governo agiu de forma errada numa medida justa.

E tenho dito.

 

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OK! VOCÊS VENCERAM! BENEDITA DA SILVA PARA O MINISTÉRIO DA CULTURA.

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“Devido de que” os enormes protestos da classe artística com relação aos meus pontos de vista sobre o MinC (leia aqui), apresento aqui a minha capitulação incondicional.

E, para mostrar que as minhas intenções são sinceras, faço aqui, de público, um apelo ao presidente “uterino”, Michel Temer:

BENEDITA DA SILVA NO MINISTÉRIO DA CULTURA!!!!

Além de ser negra, mulher e favelada, Benedita é casada com um ator e, portanto, conhece em extensão, volume e profundidade todos os problemas da cultura nacional. E se tudo isso for pouco, Benedita já mostrou e comprovou a sua capacidade na gestão do dinheiro público em consonância com as diretrizes propostas por nossa sofrida e perseguida classe artística.

E por último e não menos importante: ao nomear Benedita da Silva para o Ministério da Cultura, o governo estenderia uma mão generosa na direção do PT, representado na figura da Bené. Um gesto de grandeza neste momento de união e reconstrução do Brasil!

E tenho dito.

 

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MINISTÉRIO DA CULTURA: FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

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O Brasil está saindo de uma hecatombe. Em algumas semanas teremos uma ideia do tamanho da devastação promovida pelo lulopetismo em mais de 13 anos no poder. É como se estivéssemos saindo de uma guerra em que fomos derrotados. A conta chegou e a sociedade brasileira que vai ter que, com o seu trabalho e sacrifício, tapar esse enorme buraco. Vai ser muito duro, pessoal…

O Brasil está quebrado.

O mais desolador é saber que os mais sacrificados nessa história são os pobres, aqueles que não têm nenhuma economia, nenhuma poupança, nenhuma “gordura” para queimar. Endividados e desempregados, a saúde pública em frangalhos, sem acesso à Educação e a violência “comendo solta” nas favelas e periferias.

Temos aí o presidente Michel Temer. E Temer é o que temos dentro dos princípios constitucionais e da democracia. Não é o governo dos meus sonhos, mas é um governo apesar dos piccianis, kassabs e que tais. Reclamam que no Ministério não tem mulheres, nem negros ou índios. É fato. Mas também não tem, me parece, demagogia.

É tempo de pacificar o país e dar as mãos para nos ocupar dos grandes problemas nacionais. O resto fica para depois.

Temos que ser generosos, desprendidos e pensar no bem comum.

Neste contexto o que me deixa perplexo é a reação de egoísmo corporativista da classe artística injuriada porque o Ministério da Cultura foi incorporado ao Ministério da Educação.

Nossos artistas não são diferentes do resto dos brasileiros. No fundo e no raso, todos nós sonhamos com uma “boquinha” no Estado. Se for pobre, as migalhas de uma “Bolsa Qualquer Coisa” já estão de bom tamanho. A classe média batalha por um emprego público, que não cobra desempenho nem demite, e os ricos adoram uma Bolsa BNDES, um incentivo fiscal, um financiamento do Banco do Brasil, uma obra superfaturada… qualquer coisa serve. Francamente, desse jeito não se constrói Nação nenhuma.

Nós brasileiros temos que aprender a diferença entre trabalho e emprego. O trabalho gera riqueza e constrói o futuro, o emprego empurra o futuro com a barriga.

Na minha opinião, o Ministério da Cultura se preocupa mais com os artistas (sempre os mesmos) do que com a Cultura. A Cultura de um povo não é propriedade privada da classe artística.

Quanto menos Estado melhor. Menos aparelho de Estado significa mais eficiência e eficácia na aplicação de políticas públicas.

Acredito que as atividades culturais que realmente necessitam de apoio do Estado – vale dizer, do dinheiro público – são aquelas que comprovadamente se mostram incapazes de se autossustentar: as orquestras sinfônicas, os museus, as manifestações folclóricas, o artesanato…

E quem é que no Ministério da Cultura vai dizer qual projeto e quem deve ser beneficiado por dinheiro público? Faz sentido que o Estado subsidie a árvore de Natal do Bradesco ou o Circo de Soleil? Poxa, o Circo Garcia, que eu saiba, percorre o Brasil de norte a sul sem Lei Rouanet.

Depender de governo faz do artista refém dos poderosos de plantão. O que o artista de verdade quer senão a sua liberdade de criação?

Artistas consagrados precisam de dinheiro público? Será que não conseguem viver dos seus admiradores?

A atividade artística é um segmento da Cultura. É muito importante, mas é um segmento. Na medida em que o trabalho artístico é uma profissão, um meio de se ganhar a vida, trata-se também de um negócio. É o Show Business.

Há que se separar o que é show business do que é Cultura, como se separa Pesquisa Básica de Pesquisa Aplicada.

Nossos artistas reclamam que sem a ajuda do Estado não conseguem produzir seus espetáculos. Não se consegue mais viver de bilheteria, temporadas e excursões, como já se viveu antigamente (e sem leis de incentivo). Verdade. Se não se vive de bilheteria é porque algo está muito errado. Por que será que os nossos artistas e produtores culturais não conseguem rever os seus custos de produção? Quanto custa hoje o aluguel de um teatro? Um figurino? Um iluminador? Um contrarregra? Esses valores são reais? (com trocadilho, faz favor).

Será que o talento de nossos artistas é tão grande que, sem o adjutório do governo, apreciá-lo fica fora de alcance do bolso do povo?

Devemos referenciar os nossos custos e cachês com a realidade do país. Temos também que aumentar a eficiência e a produtividade da mão de obra em nossas produções culturais.

Ninguém faz arte por caridade, muito pelo contrário. E isso eu entendo e justifico. Mas os valores têm que se adequar à nossa realidade. Ou então que se vá tentar a sorte em Hollywood.

Se a produção é cara, o ingresso é caro e o teatro e o cinema ficam vazios. Viram igreja evangélica. E, querendo ou não, religião também é cultura.

Outra coisa que tem que acabar é esse negócio de meia-entrada, coisa que só beneficia os picaretas e a indústria de carteirinhas de estudante e de idoso.

Nossa classe artística tem que entender que o dinheiro das leis de incentivo vem da renúncia fiscal do governo, vem do bolso do cidadão que, além de Cultura, também precisa de saneamento, educação, saúde, transporte, emprego, segurança… Não dá para comprar tudo, “crianças”, e além do mais o Tesouro está falido. Está falido e quem “quebrou” o país foi o PT, Lula e sua quadrilha e seus comparsas. Procurem saber com o juiz Sérgio Moro em Curitiba.

Sinto muito, pessoal, mas desta vez não vai dar para ver o Luiz Carlos Barreto, vulgo “Barretão” (parece apodo de bandido), na cerimônia de posse já pendurado no saco do ministro da vez. Afinal, parafraseando o bardo: uma verba é uma verba, é uma verba.

A arte é prioridade. O artista, pelo menos no momento, não é uma prioridade. Tem que ter, além da cultura, hospital, educação, segurança. E o dinheiro, infelizmente, não dá para tudo; tem que ter prioridades.

Estou iniciando um novo negócio com as minhas economias e o dinheiro de investidores privados que confiam no meu trabalho. Estou fundando uma produtora de conteúdo para internet. Para isso conto com a minha equipe de colaboradores. Estamos todos no risco e com muita vontade de trabalhar e sermos todos bem-sucedidos. Só dependemos de nós mesmos e isso é muito bom!

Não devemos favores a ninguém e queremos ganhar dinheiro, muito dinheiro, divertindo e informando o público. Não tem nada de feio em ganhar dinheiro honestamente.

Jack Warner, fundador da Warner Brothers, disse para sua mãe: “Vou ficar rico! Inventei um negócio que as pessoas pagam antes de ver e depois saem felizes!”.

O artista tem que ir aonde o povo está. Há mais de um ano, Hubert e eu publicamos o Agamenon religiosamente, toda quinta-feira, no site O Antagonista. Por esse trabalho, até hoje não ganhamos um tostão. Se isso não se chama compromisso com a arte, então me digam o que é.

Neste momento histórico, todos temos que ser generosos e confiar na nossa capacidade de trabalho. Só assim, no futuro, vamos nos orgulhar do que fizemos nestes tempos tão difíceis.

E tenho dito.

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ALTERNATIVO É POP – MARCELO MADUREIRA

Na segunda parte da entrevista, Marcelo Madureira conta como descobriu sua paixão por livros e Monty Python.

Sobre o programa: O Programa Alternativo é POP vem com a proposta de mostrar o conceito sobre “Cultura Alternativa” das ruas e no mundo corporativo, entre mídia alternativa, música, teatro, cinema, galerias, restaurantes entre outros. Buscamos fazer um programa que aborde todos esses temas de uma forma natural e dinâmica.

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CAMINHANDO E ANDANDO

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CAMINHANDO E ANDANDO  (com Paulo Leminski)

Esta semana passei deambulando pelo Brasil fazendo palestra. Mais uma vez tive a oportunidade de testemunhar a indigência da nossa infraestrutura. O aeroporto de Guarulhos é inacreditável. Os banheiros imundos, desconforto nas salas de espera e, no bar, tiveram a coragem de cobrar 26 reais por um croissant (ruim) com suco de laranja. Outro ponto notável, e não só em Guarulhos, mas por todos os lugares por onde andei, é a  ineficiência dos funcionários, que  não sabem fazer conta e se atrapalham no uso do computador. Existe uma distância imensa entre a educação no Brasil e a informática. Aliás, léguas e léguas separam  qualquer  fundamento do conhecimento humano da  nossa educação que, por isso mesmo, só pode ser grafada em letra minúscula. As estradas federais estão cada vez piores, como se isso fosse possível. Devem ser as obras do PAC. No avião, o ar condicionado não funciona e o aeroplano tem que ficar um tempão com as turbinas ligadas (desperdiçando combustível) porque a escada de desembarque ainda não foi  “disponibilizada”.

Disponibilizada. Como as criaturas adoram usar este termo! Acham que aplicando este verbo esdrúxulo conseguem escamotear  a sua  ignorância. Pior que isso só quando alguém fala o anglo neologismo “estartar”, no sentido de começar algo. Pobre última Flor do Lácio, inculta e bela, onde não se consegue mais pronunciar “começar”, “iniciar”, “principiar”…, são tantas opções, mas  o tal  “estartar “ dá um conteúdo mais tecnológico e pós-moderno à prosa, coisa tão apreciada pelos nossos boçais.

Mas o Brasil é assim mesmo, afinal é o único país do mundo em que Francisco Bosco é considerado intelectual. Ou ao menos ele assim se julga…

No Brasil até a ignorância é santa.

Mas nessa vida nem tudo são urtigas. Durante a jornada, usufruí da companhia de “Passeando por Leminski”, de Domingos Pelligrini.  O livro não é tão somente  um retrato sensível e acurado do grande poeta paranaense, é muito mais do que isso, é o  relato da amizade entre Polaco (Leminski) e Pé Vermelho (Pellegrini). Amizade verdadeira, sincera e  franca. Domingos nos deixa perceber a alma de Paulo Leminski, a inteligência, o humor,  a poesia, a cultura, a filosofia, tudo isso formando um mosto que é destilado na cachaça da literatura. Foi essa a cachaça que matou (e de que viveu) Paulo Leminski e, agora, (paradoxo!)  o ressuscita, na reedição de “Toda Poesia”. É a primeira vez que eu vejo um livro de poesias virar best-seller no Brasil!

Agora vem o absurdo, “Passeando por Leminski” não está à venda nas livrarias, sua publicação foi proibida pela mulher e pelas filhas de Leminski. Não existe explicação razoável para tamanha violência. Enquanto não se resolve a pendenga,  Domingos Pellegrini colocou a obra na internet, à disposição do público, num ato de generosidade sem precedentes na literatura brasileira, já que o livro é uma obra-prima.

Coloco em anexo uma cópia da obra para serbaixada, mas sugiro aos leitores que assumam consigo mesmos o compromisso de adquirir uma cópia do livro, assim que for publicado. Pois há de ser. Só quem vive de escrevinhar sabe quando custa a epopeia. É uma estiva. O  pior é que pagam muito pouco por ela. Ao contrário do que pensam Roberto Carlos e o pessoal do Procure Saber.

Clique aqui para baixar o livro

E tenho dito.

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MODERNISMO, TROPICÁLIA, SERTANEJO UNIVERSITÁRIO E COSMOGONIA

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Para os meus amigos Bi Cosmo & Rocknaldo

A cultura brasileira protagonizou na sua história três grandes e importantes movimentos. O primeiro foi, sem sombra de dúvida, a Semana de Arte Moderna de 22. Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural do país pela escultura, arquitetura, música e literatura, sob o ponto de vista rigorosamente modernista. A Semana de Arte Moderna ocorreu em uma época cheia de turbulências políticas, sociais, econômicas e culturais. As novas vanguardas estéticas surgiam e o mundo se espantava com as novas linguagens desprovidas de regras.

A nova intelectualidade brasileira dos anos 10 e 20 viu-se em um momento de necessidade de abandono dos antigos ideais estéticos do século 19. O principal foco de descontentamento com a ordem estética estabelecida se dava no campo da literatura, campo onde se destacavam Mário e Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida. Nas artes plásticas, a então jovem Anita Malfatti voltava da Europa trazendo a experiência das novas vanguardas, e, em 1917, realiza a que foi chamada de primeira exposição modernista brasileira, com influências do cubismo, expressionismo e futurismo.

Somente no final dos anos 60 foi que a vida cultural brasileira articulou outro movimento semelhante e que trouxe profundas transformações à estética pátria, que foi o Tropicalismo, ou Tropicália.

O Movimento surgiu da união de uma série de artistas baianos, no contexto dos Festivais promovidos pela TV Record, no qual Caetano Veloso cantou “Alegria, Alegria” e Gilberto Gil apresentou “Domingo no Parque”.

O Movimento Tropicalista trouxe várias inovações para o cenário cultural brasileiro. O Tropicalismo, de certa forma, foi um rompimento com a arte obviamente militante, que tratava da situação política do país na época da ditadura e tinha a melodia como um sustentáculo desta mensagem.

As letras das canções eram inovadoras, criando jogos de linguagem, se aproximando da poesia dos concretistas. A intenção era chocar e, por meio de performances caracterizadas pela violência estética, protestar contra a música brasileira bem comportada. Influenciados pela contracultura, se apoderaram da linguagem da paródia e do deboche. Os tropicalistas transformaram a música popular brasileira, sendo grandes expoentes da arte brasileira de vanguarda.

Por último, o mais importante e mais recente movimento estético produzido no Brasil e o único, talvez, com a capacidade de influenciar a cultura transglobal. Me refiro ao Sertanejo Universitário, este movimento que não significa apenas um marco estético, mas também um “breakthrough” no “Weltaunschauung” da cultura contemporânea. O Sertanejo Universitário, como o nome já diz, propõe um “upgrade intelectual” em contraposição a “pop art”, ao mesmo tempo que rompe de maneira radical e definitiva com os valores ético-estéticos até então vigentes. O que poderia ser apenas um estilo musical provocou um inacreditável “insight” coletivo naquilo que chamamos de “senso comum estético”, rompendo barreiras geográficas, cambiais e tarifárias.

Nomes como Michel Teló que, num arrojado “statement” de arte pós conceitual, se propõe como a primeira dupla sertaneja de um só elemento, ou seja, rompendo com a singularidade de tempo-espaço então vigente num espaço-arte conservador e que ainda tinha a coragem de se autodenominar de vanguarda. Nem Marcel Duchamp seria capaz de tamanha ousadia. Não posso também deixar de citar neste ensaio a contribuição revolucionária de “Eu Quero Tchu, Eu quero Tchá”, de João Lucas & Marcelo, obra singular que levou muito além as fronteiras da linguística e da semiótica. A letra de “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” está sendo objeto de estudo de Umberto Eco.

Também não posso encerrar esta dissertação sem mencionar Fernando e Sorocaba, Vitor e Léo, Bruno e Marrone e, principalmente, Cesar Menotti del Picchia e Fabiano pela contribuição na conceituação das bases teóricas do Sertanejo Universitário.

Apesar de reconhecer o valor do Axé Music, do Pagode e do Funk Carioca, estes movimentos menores de cultura nacional jamais poderão chegar perto do rigor estético e opção radical e ontológica do Sertanejo Universitário. Movimento estético cultural que terá, inclusive, um pavilhão exclusivo na próxima Dokumenta de Kassel.

E tenho dito.

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