PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Nos jornais desta semana, duas mulheres cruelmente assassinadas, vítimas de abortos clandestinos malsucedidos: Notícia 1. Notícia 2. 

Enquanto milhares de mulheres se submetem à prática clandestina do aborto no Brasil, a sociedade hipócrita em seu conjunto vira as costas para o assunto. Faz de conta que não vê e vai ficando tudo por isso mesmo. Até quando?

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes.

Está mais do que na hora de se discutir uma política demográfica. E não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. A população do planeta se aproxima perigosamente do número de 10 bilhões de habitantes, e as consequências já estão aí, principalmente no meio ambiente. Quem quiser saber mais sobre o assunto, recomendo um livro de rápida leitura, mas muito esclarecedor, chama-se 10 Bilhões, de Stephen Emmott, cientista da Universidade de Cambridge.

Mas, por enquanto, vamos do geral para o particular. É cada vez maior o número de adolescentes, ou mesmo meninas, grávidas, principalmente entre as populações mais desassistidas. O fenômeno vai se repetindo por gerações. Eu conheço mulheres que já são avós com menos de trinta e cinco anos. São crianças, filhos de pais pobres, que vêm ao mundo por acidente, e cujo destino é a repetição do modelo de pobreza, ignorância e indigência.

aborto_dinaO que fazer? Antes de mais nada, é necessário educar as crianças sobre os “fatos da vida” e, principalmente, ensinar e fornecer os meios para que se protejam não só de uma gravidez indesejada, mas também das DST – Doenças Sexualmente Transmissíveis. Se houvesse uma política eficiente de educação sexual, a maioria das mulheres não precisaria recorrer ao procedimento extremo do aborto.

E o aborto? O aborto deve ser tratado como um procedimento médico, eletivo, cuja decisão final fica a critério exclusivo da paciente, depois de um parecer médico. Para tanto, bastaria recorrer a hospitais ou clínicas, privadas ou públicas, capazes de oferecer as melhores condições materiais e psicológicas para aquelas que optassem pela interrupção da gravidez.

Fazer um aborto não é uma decisão fácil. E nem precisa ser mulher para entender isso. Sem falar do procedimento invasivo, inúmeras questões emocionais e morais se fazem presentes. É fundamental que a paciente tenha todo o amparo possível neste momento difícil da vida. As pressões, principalmente as de caráter religioso, são tremendas. E as religiões são, ainda, estupidamente obscurantistas e retrógradas com relação a esta questão.

O que não pode é milhões de mulheres terem que se sujeitar ao submundo de clínicas clandestinas e às práticas de “curiosos”, submetendo-se a um procedimento que, do ponto de vista médico, é simples, quase trivial. Direito ao aborto não é caso de polícia, é caso de saúde pública.

E tenho dito.

Eleições chapa quente!

O crescimento da candidata Marina Silva mostra que um enorme contingente de eleitores se interessa pelo processo político. Observando os números da última pesquisa para presidente, pode-se notar que os eleitores de Dilma, em sua maioria, se encontram nos segmentos mais pobres e com o menor nível de escolaridade. Isso quer dizer que as pessoas menos esclarecidas ainda são reféns do governo. Quanto mais debate, melhor será a qualidade do voto. E isso não interessa ao PT.

Democracia em Perigo – Episódio 05 a 10 e um final

A década de 1980 foi considerada a década perdida. O povo lutou pela redemocratização do Brasil. EM 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República.

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Assista também:

Democracia em perigo – Episódio 01

Democracia em perigo – Episódio 02

Democracia em perigo – Episódio 03

Democracia em perigo – Episódio 04