AMANHÃ SERÁ UM NOVO DIA

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Perdemos. A imensa sombra de um bode preto paira sobre as nossas cabeças. Nunca estivemos tão perto da vitória, uma diferença ínfima de 3,38%, ou seja, uma diferença de 3,4 milhões de votos num universo de 142 milhões de eleitores. Aí eu pergunto ao ex-presidente em exercício, Lula da Silva: que elite branca golpista é esta que concede mais de 51 milhões de votos ao candidato Aécio Neves?

Desde as manifestações do ano passado, não via tanta gente, um monte de jovens, engajada na campanha, interessada na política. E isso é bom para a nossa Democracia.

Hoje é o dia de cada um juntar os seus “cacos” pessoais, a sua decepção e, até mesmo, a desesperança. Mas juntando os nossos cacos significa que ficamos mais unidos, mais fortes e mais solidários. Fiquem certos que hoje temos no Brasil, sob a liderança de Aécio Neves, uma oposição. E nós somos essa oposição. Saímos muito mais fortes do que entramos nestas eleições de 2014. Perdemos, é verdade, mas continuamos atentos. “O preço da Liberdade é a eterna vigilância”, já nos ensinou Thomas Jefferson.

A democracia não existe na unanimidade, muito pelo contrário. Mas espiando os nossos adversários e a geografia das urnas, percebemos que o PT virou uma espécie de ARENA dos regimes militares. Arrebanha os seus votos nos distantes grotões do país e nos estados da federação onde faz os mais pobres de reféns de sua demagogia e clientelismo. Não foi à toa que o PT se aliou a Paulo Maluf, Renan Calheiros, Collor de Mello, Jader Barbalho e José Sarney, todos representantes do coronelismo mais atrasado e reacionário do Brasil. Também nesta campanha presidencial de 2014, o ex-presidente Lula da Silva, mais uma vez, mostrou o seu caráter velhaco. A História há de lhe fazer justiça.

As políticas sociais de inclusão não são invenção nem propriedade do PT. As políticas de inclusão são políticas de Estado e estão na Constituição Brasileira de 1988, a nossa Constituição Cidadã que, por sinal, o PT recusou-se a assinar.

Por ironia do destino, Dilma Rousseff vai deixar para si mesma uma verdadeira herança maldita. Como consequência de seu primeiro governo, eficientíssimo, os próximos anos serão difíceis e as mentiras de campanha terão perna curta.

Enormes desafios, dificuldades e sacrifícios nos aguardam, mas não temos medo, muito pelo contrário, só aumentam a nossa determinação, a nossa têmpera e a nossa coragem.

Hoje é a manhã de um novo dia. A vida continua e nós continuamos vivos. O nosso compromisso é com o futuro. Desistir jamais!

E tenho dito.

Marcelo Madureira e Guilherme Fiuza debatem no Fórum Liberdade e Democracia em BH

 

Artigo do economista Rodrigo Constantino, publicado em seu blog na Veja.

 

Fórum Liberdade e Democracia: discutindo o país que queremos

Minha chegada a Belo Horizonte começou com fortes emoções: o avião teve de arremeter por conta de uma rajada de vento no momento exato do pouso. Em tempos de desastre como o de Eduardo Campos, confesso que precisei afrouxar a gravata e respirar fundo. Mas era só o começo e ainda haveria outras emoções consideráveis, mas bem melhores, como a de receber o Prêmio Liberdade pelos colegas do Instituto de Formação de Líderes (IFL).

O V Fórum Liberdade e Democracia, que o IFL organizou nesta segunda em Belo Horizonte, foi um bálsamo para aqueles que, como eu, estimam o bom debate, civilizado e calcado em argumentos. O Brasil carece de iniciativas como esta, que valorizem a troca de opiniões em ambiente livre, com espaço para uma mensagem liberal que raramente ganha as páginas dos jornais ou os eventos universitários. No fórum, os liberais não se sentem alienígenas falando outra língua dentro do próprio país, e não há espaço para rótulos vazios, slogans e palavras de ordem que impedem qualquer diálogo mais sério.

O discurso de abertura da presidente do IFL, Tatiana Mattar, enfatizou a importância da liberdade individual e da democracia para a prosperidade do país, alegando que o eterno “país do futuro” nunca muda de patamar por desrespeitar tais pilares. Convocou cada um a participar de forma mais ativa na construção desse futuro, pois não podemos simplesmente esperar que as coisas melhorem do nada. Assumiu, assim, o papel de elite que lidera, o que tanto falta no Brasil.

William Ling foi o empresário premiado, e fez uma excelente palestra de agradecimento. Mostrou como é possível cuidar dos interesses da empresa e ao mesmo tempo agir para mudar e fortalecer as instituições democráticas. Movido por uma espécie de imperativo categórico kantiano, por uma indignação em relação ao abuso e exploração das massas ignorantes pelos governantes, o empresário esclarecido tem a obrigação moral de lutar por um entorno melhor, deixar de lado a visão míope, os interesses de curtíssimo prazo, para criar os pilares de uma nação livre. Como seus pais fugiram da China quando Mao fez sua revolução sangrenta, Ling sabe bem o que é viver sob um regime opressor. Cabe ao empresário se esforçar para impedir tal destino em nosso país.

O primeiro painel falou sobre política econômica e contou com dois ex-presidentes do Banco Central: Gustavo Loyola e Gustavo Franco. Defenderam a autonomia da entidade, tão abandonada hoje, lembrando que não basta apenas isso, mas sim ter uma visão abrangente da função dos bancos na economia. O atual governo os usou para criar moeda e crédito sem lastro, fomentando a volta da inflação.

Franco destacou que temos uma grande incerteza em relação a qual política econômica seria a adotada por um eventual segundo mandato de Dilma, agora que Mantega está “demitido” pela presidente em campanha. Disse não ser fácil compreender Dilma. Acha que existe um claro risco de o país seguir na rota venezuelana ou argentina, o que seria catastrófico. A Argentina tem uma inflação anual acima de 40%, enquanto o governo divulga um índice oficial perto de 10%, e na Venezuela já passou de 60%. Acha que o Brasil não está tão longe assim disso, pois estamos flertando com 10% ao ano e abandonamos a meta de inflação, adotando em seu lugar uma banda que acaba sempre no teto.

Loyola destacou a questão do ambiente aos negócios, bastante desfavorável atualmente. E concluiu que não existe oposição entre crescimento e desigualdade, pois a redução da distribuição da renda depende do crescimento, e citou como exemplo o Plano Real como o grande programa social do país.

O painel seguinte contou com Guilherme Fiuza e Marcelo Madureira. Fiuza começou afirmando que, para saber qual país queremos, é preciso saber o que está dando errado no presente. O evento que lhe chamou mais a atenção recentemente foram as manifestações que tomaram as ruas do país em 2013. Crítico do governo atual, Fiuza não poupa a opinião pública, cuja reação demonstra falta de senso crítico e foco. O povo brasileiro cai com muita facilidade na armadilha retórica do populismo, daqueles que Fiuza chama de “mercantilistas da bondade”.

As imposturas dos governantes passam impunes diante de um discurso falso, de um “humanismo” que mascara o oportunismo desses exploradores. Não foi apenas o povo que entrou nessa, mas sim gente da tal elite supostamente esclarecida, disposta a embarcar no teatro armado pelo PT. Os escândalos de desvio dos gastos públicos ocorriam nas barbas do brasileiro, que preferia protestar contra “tudo”, ou seja, nada. Ou seja, tivemos apenas uma “Primavera Burra”, incapaz de identificar um só alvo concreto em seus protestos. O caso de Rosemary, completamente ignorada pelos “rebeldes”, é talvez o mais contundente de todos. Fiuza concluiu afirmando que há razoável liberdade de expressão no país; o que falta é discernimento por parte do público, i.e., um bom uso dessa liberdade. Acusou o déficit de atenção crônica da população, pois nada mais falta para se dar conta de que existe um projeto parasitário de poder para sugar toda a máquina pública.

Marcelo Madureira começou afirmando que fora da democracia não existe salvação, e rejeitou os conceitos de esquerda ou direita, que julga obsoletos. Diz que falta uma utopia, que sem uma visão de qual mundo queremos à frente, acabamos com um ambiente em que vicejam os oportunistas de plantão. Confesso morrer de medo de utopias. Madureira aderiu à tese, que julgo equivocada, de que o capitalismo é bom para criar riqueza, não para distribuí-la. Não acho que devemos ter um foco obsessivo na distribuição em si da riqueza, pois ela não é estática, não é um jogo de soma zero. Mas o humorista também reconheceu que o aparelho de estado não tem condições de atender às demandas da sociedade, e que vive de forma parasitária do esforço da população. Falta aos seus gestores um projeto de país, pois só possuem mesmo um projeto de poder, sob o velho patrimonialismo que transforma a coisa pública em “coisa nossa”.

O resultado é a descrença, especialmente dos jovens, na política. É uma crise de caráter moral, de valores. Temos uma sociedade intolerante, algo que se agudizou nos últimos anos. O contraditório não é mais tratado de forma civilizada. O simplismo substitui uma visão de mundo mais complexa, que demanda estudo para um maior conhecimento dos problemas em pauta. Há uma exacerbação do individualismo. E a demagogia campeia, com um governo que celebra o aumento na quantidade de gente que precisa viver das esmolas do estado.

Madureira concluiu discordando de Fiuza em relação ao ambiente de liberdade de expressão, afirmando que muitas vezes existe até uma dificuldade de trabalho para quem ousa divergir do governo. Citou os ícones dos atuais governantes, Venezuela e Cuba, como exemplos dos riscos que corremos, não apenas na economia. A saída é fazer política. Até “não fazer política” é um ato político. Votar nulo é um ato político. As pessoas precisam participar mais, discutindo, conversando, trocando ideias, procurando compreender o outro lado, buscando alguma convergência. E após tanta seriedade, fechou dizendo que será o primeiro artista a pedir Bolsa Ditadura do governo Lula.

Infelizmente era chegada a hora de ir para o aeroporto, e perdi a palestra do Dr. Ives Gandra Martins. Já vi algumas vezes o renomado advogado em palestras, e leio sempre seus artigos. Portanto, tenho alguma ideia do que ele pensa, mas lamento não ter ficado até o final, pois suas ilustres contribuições sempre agregam algo de novo. Fica para a próxima.

O IFL está de parabéns pela organização do evento, e as centenas de pessoas presentes com certeza saíram com bastante material para reflexão. Afinal, qual Brasil queremos? Eis a provocação feita pelo IFL, e cuja resposta deve começar justamente pelo amplo debate de quais são nossos principais problemas e quais as alternativas postas na mesa para solucioná-los. O fórum cumpriu bem sua função.

Rodrigo Constantino

Democracia em Perigo – Episódio 06 a 10 e um final

A democracia trouxe novos ares ao Brasil. Em 1988, foi promulgada a Constituição que está vigente até hoje.

Acompanhe essa série diariamente aqui no blog ou no site http://www.qualsuacausa.com.br/

Assista também:

Democracia em perigo – Episódio 01

Democracia em perigo – Episódio 02

Democracia em perigo – Episódio 03

Democracia em perigo – Episódio 04

Democracia em perigo – Episódio 05

Democracia em Perigo – Episódio 05 a 10 e um final

A década de 1980 foi considerada a década perdida. O povo lutou pela redemocratização do Brasil. EM 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República.

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Democracia em perigo – Episódio 01

Democracia em perigo – Episódio 02

Democracia em perigo – Episódio 03

Democracia em perigo – Episódio 04

BOMBA ! BOMBA !

Hoje, 6 de agosto, há 68 anos atrás, os Estados Unidos lançaram  uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima no Japão. Dois dias depois, foi a vez de Nagasaki. Em segundos, centenas de milhares de pessoas morreram. Algumas (muitas) foram virtualmente vaporizadas. Outras foram morrendo ao longo dos anos, vítimas da radiação. Nunca nenhuma outra arma havia se mostrado tão letal, tão devastadora. Terminava ali a Segunda Guerra Mundial, o maior conflito bélico de toda a história da Humanidade em termos absolutos e relativos. Mais de duzentos milhões de mortos. Pela primeira vez, populações civis indefesas foram alvos primários de ações militares. Como que um epílogo da Hecatombe, segue-se a Guerra Fria, conflito não declarado entre as esferas socialistas e capitalistas, com áreas de atrito pontuais e a permanente ameaça de um conflito nuclear generalizado. A qualquer momento, o Juízo Final, Armagedon, para, muito provavelmente, botar um ponto final na existência da nossa espécie no planeta. Com a falência  do “socialismo real”, a queda do Muro de Berlim termina esta última etapa do conflito. Desde então, vivemos num mundo sem Utopias. Alguém aí tem um algum projeto para a Humanidade? Quais os caminhos a seguir? Quais são os nossos valores? Por que acordamos todos os dias para estudar, trabalhar, amar, educar, construir ?

A grande lição do século 20 foi a de que totalitarismos não funcionam. Tanto de esquerda quanto de direita. Regimes de força reduzem o cidadão ao nada e a tirania conduz a sociedade a uma servidão existencial. Fora da Democracia não existe solução. Fora do permanente contraditório de ideias, fora o permanente equilíbrio entre os Poderes, fora a alternância no exercício do Poder, fora o respeito às leis e aos contratos, fora o respeito às minorias e aqueles que divergem, não existe salvação. Não existe milagre e, muito menos, os Messias  demagogos de ocasião.

Tenho dito.