A TRAGÉDIA PETISTA – 2

PARTIDO BANDIDAGEM_2Zander, Navarro – A tragédia petista – 2

– O Estado de S. Paulo

 

Nesta página esbocei uma interpretação sociológica acerca do desenvolvimento do campo petista (A tragédia petista, 26/10) e agora cabe determinar uma equação que possa revelar as principais variáveis de sua sustentação. Quem sabe, assim, entenderemos os ingredientes que explicam o continuado êxito eleitoral do PT.

 

Na analogia com a matemática, seriam muitas as variáveis a desvendar, entre as principais e as secundárias. Algumas surpreendem, como a espantosa passividade de nosso povo, sujeitando-se às corriqueiras manipulações do sistema partidário, comportamento que inclui até cientistas sociais com elevada formação científica.

 

Mas outras variáveis não são inesperadas, como o uso do Estado com fins primordialmente partidários ou a ocorrência dos absurdos gastos com propaganda. São fatos que tornam remotos os ideais republicanos que nos deveriam orientar.

 

Neste comentário sugiro que duas constantes e uma incógnita também compõem a equação, todas demonstrativas do crescimento do campo petista, especialmente nos anos pós-Constituinte e no curso da democratização do País. Contudo não são as variáveis que seriam logicamente antecipadas e a incógnita, provavelmente, não tem nenhuma chance de ser desvendada. Já as duas constantes constituem o eixo central do edifício petista.

 

A primeira delas diz respeito à capacidade de elevar ininterruptamente o caudal de votos destinados ao partido. Numa democracia eleitoral, o acesso ao poder e ao Estado requer maiorias em eleições regulares. Aqui, o mecanismo decorreu da sorte circunstancial do campo petista, que foi a explosão contemporânea da expressão participação social. Esta surgira pelas mãos da clássica teoria democrática pluralista, definida, em especial, por autores norte-americanos, como Robert Dahl e outros, nos anos 1970. Mas foi expressão tornada obrigatória apenas na década de 1990, em quase todo o mundo. Ideólogos petistas, entretanto, dela se apropriaram, tornando-a (falsamente) uma prerrogativa da tradição da esquerda.

 

Participação social tornou-se o fulcro da propaganda do partido, prometendo que os cidadãos teriam poder decisório sobre as coisas públicas, um sonho de teorias democráticas que a esquerda petista, espertamente, vendeu como criação sua. Foi assim com o Orçamento Participativo, a grande bandeira do partido naqueles anos, e tem sido da mesma forma com a multiplicação de conselhos, iniciando-se pelo setor da saúde e seus coletivos municipais. Posteriormente, o ideal participativo irradiou-se para as demais áreas, unindo uma narrativa que é irresistível, pois abriria o Estado à voz dos cidadãos, porém combinada a uma camuflada ação partidária capaz de capturar, cada vez mais, currais eleitorais e, ao fim, mais votos. Em poucas palavras: um discurso em si mesmo democrático, mas distorcido pela desonestidade petista, escondendo seu principal objetivo, que é a manipulação dos participantes, vistos apenas como portadores de votos necessários à conquista dos governos.

 

A presidente reeleita conhece bem esse mecanismo: seu antigo abrigo, o PDT, era o principal partido em Porto Alegre, mas foi varrido do mapa pelo Orçamento Participativo, o qual cooptou as lideranças dos bairros, recrutando-as para o guarda-chuva petista. Conselhos e conferências nacionais, somados à oferta de todos os tipos de bolsas: nada disso tem alguma coisa que ver com a venezuelização e menos ainda com a democratização do Brasil. Relaciona-se, exclusivamente, à conquista do Estado por meio de um processo de clientelismo partidário sem precedentes em nossa História.

 

A segunda constante da equação se chama corrupção. Nenhum partido sobrevive sem dinheiro, é preciso financiar seu funcionamento, com custos cada vez mais altos. Aqui serei breve, pois os fatos atuais, divulgados em escala crescente, emudecem a cidadania, perplexa com a ousadia de um partido que antes pregava a correção ética, à exaustão. O assalto à Petrobrás torna tal escândalo o maior já registrado e, simultaneamente, marca o PT como o partido mais corrupto da História brasileira. Os petistas serão capazes de lidar serenamente com os fatos iluminados pelo avanço das investigações?

 

Como responder à colossal transferência de recursos públicos para garantir o sucesso de um partido?

 

E lembremos, pois é gigantesca a crueldade política: o escândalo incide sobre uma sociedade desigual como a nossa, na qual prevalece uma estrutura regressiva de tributos, prejudicando os mais pobres. Como um partido autointitulado de esquerda se pode envolver nesse inominável crime?

 

E assim chegamos ao terceiro elemento que pretendo apontar nestas notas e que diz respeito à incógnita da equação. Ou pelo menos assim aparece, pois ainda não foi decifrada. Trata-se da pergunta: qual o objetivo finalístico de tudo isto? Há no horizonte de longo prazo um projeto para o Brasil ou um plano para reconfigurar a Nação que igualmente descreva a estratégia do jogo?

 

A resposta a essas indagações realça a maior de todas as vilanias, pois esses objetivos são inexistentes. Deixo o desafio: que alguém aponte algum documento de alguma significação mais substantiva, com a assinatura do Partido dos Trabalhadores, no qual esteja delineado um cenário de transformações para o Brasil. Como insistido no artigo anterior, o partido deixou de pensar desde os anos 90 e, em tempos recentes, tem sido incapaz de sequer refletir sobre o País, apontando os desafios e as mudanças que nos fariam uma Nação próspera e justa. Conformou-se com as delícias do poder, do consumo e do dinheiro produzidos pela ascensão social de seus operadores.

 

Esse é o coração da tragédia petista e nos deixa, os cidadãos, prostrados e à espera. Seria o anúncio da mudança que os atuais detentores do poder nem ao menos sabem enunciar, mesmo que retoricamente.

 

Sociólogo, é professor aposentado da UFRGS

 

176
ao todo.

COM AÉCIO E SEMPRE COM AÉCIO

MM-Aecio

Algum “publicitário genial” inventou  que o voto é a “arma do cidadão”, pois muito bem: no segundo turno, vamos “dar um tiro” de 45 na Dilma, no lulopetismo e seus capangas.

Nada pessoal, vejam bem. São apenas figuras de linguagem, alegorias vernáculas, “boutades”, “mots d’sprit”, como dizem os franceses. Não fica bem, nem faz parte de nossa prática política, o cultivo do ódio e do rancor. Deixamos isso para os nossos adversários. Mas, como humorista, eu não podia perder esta piada.

Quem viu o debate entre o economista Armínio Fraga e o ex-ministro em exercício, Guido Mantega, percebe que a nossa campanha é pautada em argumentos e racionalidade, diferentemente de nossos adversários, que usam da mentira e da alquimia aritmética para escamotear aquilo que todo mundo está vendo e sentindo no bolso. Basta frequentar a feira semanal ou ir até o supermercado.

Não quero entrar no tema de corrupção e ataques aos cofres públicos. Pelo que nos vai sendo revelado dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras e do doleiro oficial do governo, estamos diante de um escândalo muito maior que o mensalão.Também não quero perder tempo recordando as imagens lamentáveis do ex-presidente Lula dividindo palanques com Jader Barbalho, Renan Calheiros, Collor de Mello, Paulo Maluf, José Sarney, entre outros, ao longo da campanha no primeiro turno.

Em toda a sua campanha, o candidato Aécio Neves vem adotando uma postura propositiva, buscando o aprofundamento do debate político. Aécio divergiu de Marina Silva, sem dúvida, mas divergiu no campo da política e das propostas. Coerente com sua biografia, Aécio não dedicou nenhum minuto de sua campanha em “desconstruir” a candidata do PSB , nem tampouco em colocar na boca de Marina mentiras e palavras que jamais foram ditas. Quando alguns militantes do PSDB e seus coligados não acreditavam mais nas possibilidades de nosso postulante, Aécio permaneceu trabalhando firme, obstinado, confiante no potencial de sua mensagem.

Aécio Neves será o nosso leme seguro num futuro que se apresenta repleto de dificuldades. Mais do que isso, Aécio já mostrou que é o único nome capaz de reunir os melhores quadros e forjar as alianças necessárias para levar a nossa nau-país a bom porto.

Desde já , sabemos que não vai ser fácil. Assim que o lulopetismo for desalojado do Aparelho do Estado, os brasileiros vão conhecer em toda a sua extensão  a devastação que o “aparelhamento” do PT e seus aliados  fizeram nas contas públicas, nas estatais, nos fundos de pensão, nas autarquias e na economia como um todo. Teremos também os petistas na oposição, atribuindo ao futuro governo as mazelas e escândalos que eles mesmos criaram. Para corrigir todos os equívocos e tramoias desta, sim, verdadeira “herança maldita”, a sociedade brasileira será obrigada a suportar grandes sacrifícios.

Mas nós não temos medo. Nós, que derrotamos uma ditadura militar com a força da Democracia, não vamos sucumbir frente a uma quadrilha de cafajestes.

Por isso tudo, sem vacilações, vamos de Aécio Neves 45 no segundo turno.

E tenho dito.

1.1mil
ao todo.

ELEIÇÕES 2014: NA RETA FINAL

urna eletronica

Faltam poucos dias para as eleições. A incerteza é grande. Haverá segundo turno? Tudo indica que sim. Segundo as pesquisas, o eleitorado de Dilma fica estacionado em cerca de 40% dos votos, enquanto Aécio e Marina, tirando os brancos e nulos, disputam os 45% restantes. Aécio mostra um movimento ascendente enquanto Marina da Silva, em oposição, vem caindo nas intenções de voto dos eleitores. Um dos dois contendores estará no segundo turno.

Até aqui as campanhas, todas elas, deixam a desejar em termos de conteúdo e aprofundamento da discussão política. A do PT e seus coligados fazem a anticampanha política, baseada em populismo rastaquera, mentiras e terrorismo marqueteiro. Mas desta cambada de cafajestes eu não esperava outra coisa. Pensava que as campanhas de Aécio e Marina poderiam esclarecer melhor o eleitorado, principalmente com relação ao plano de governo. Acredito que, além da estratégia de desalojar os petistas e seus capangas do poder, os dois postulantes têm, nas suas ideias para o Brasil, pontos de convergência, muitos vasos comunicantes. Mas creio que os dois candidatos não deixaram isso claro para o eleitorado. Mesmo porque para se derrotar o lulopetismo e governar o Brasil, há que se fazer acordos, mas não acordos fisiológicos, com a divisão do aparelho de Estado como se fosse um butim. Há que se fazer uma coalização baseada em plano de governo, com metas e objetivos bem claros.

Por isso mesmo, creio que é uma boa tática não “queimar as pontes” entre as duas candidaturas de oposição ao governo. O eleitor deve julgar qual dos dois é mais preparado, não só para derrotar o lulopetismo, mas, principalmente, para governar o país.

No segundo turno, zera tudo. Os dois finalistas têm o mesmo tempo de televisão, a campanha se polariza e as campanhas precisam ser mais assertivas com relação ao que os candidatos pretendem e como vão conduzir o Poder Executivo. É a hora da verdade, quer dizer, para aqueles que têm a “verdade” como um valor universal.

Não se pode esquecer a importância de uma escolha criteriosa por parte do eleitor de seus candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados. Estas senhoras e senhores serão responsáveis pela atividade legislativa democrática e ética, essencial para se fazer um bom governo. Eu sempre anoto e guardo, em lugar visível, o nome dos candidatos em quem votei, é uma boa prática.

Para mim, dia de eleição é um dia especial. Eu sei o quanto custou recuperar a nossa Democracia. Emocionado, mas sem veadagem, pego o meu título de eleitor, vou até a minha sessão, entro na fila e voto. Pode ser pouco, mas é muito. Quando estou ali, na solidão da cabine eleitoral, digitando os números dos meus candidatos, eu penso que tipo de Brasil eu quero para os meus filhos e netos.

Por isso, votarei Aécio 45.

E tenho dito.

 

281
ao todo.

MARCELO MADUREIRA CUTUCA

MarceloMadureira-Vitória

Tucano: Casseta Marcelo Madureira cutuca artistas petistas

Por Mônica Santos

 

Sempre que pode o casseta Marcelo Madureira vem em Vitória para visitar o amigo Luiz Paulo Vellozo Lucas, candidato a deputado federal. Eleitor de Aécio Neves (PSDB), o humorista conversou com a juventude tucana e deixou clara sua posição em relação à corrupção, democracia e patrulhamento. Estiveram na casa do candidato, em Fradinhos, cerca de 120 pessoas para ouvir o depoimento do artista. Ao confrontar suas ideias com os jovens, Madureira expõe sua estranheza com artistas como Chico Buarque e Luiz Fernando Veríssimo que “apoiam um governo que, sempre que pode, suprime a liberdade de manifestação”. Na manhã desta sexta-feira (19/09), ele caminhará pelo Centro de Vitória ao lado do tucano. 

ESPÍRITO SANTO

Sou um capixaba honorário. Nem preciso de título da Assembleia Legislativa. Estou aqui dando uma força na campanha do Luiz Paulo. Ele tem uma força própria, mas eu gosto de participar. Acho que a campanha política aqui é sempre empolgante. Uma coisa que gosto muito é ficar em contato com o povo capixaba. Para mim é muito prazeroso, independente de ser uma época de política, acho que é legal. Me dá prazer. 

PANORAMA POLÍTICO

Me parece muito fácil votar para presidente da República, por exemplo. Eu acho que, sem dúvida nenhuma, Aécio Neves é o melhor candidato. Ele reúne, objetivamente, as melhores condições para poder governar o País, principalmente no que vem por aí. Porque o PT perdendo as eleições, aí que os brasileiros vão conhecer o que é, de verdade, uma herança maldita. 

PAÍS DRAMÁTICO

Eu vejo esse momento como uma encruzilhada, mas o Brasil é um País dramático. A renúncia do Jânio, o suicídio do Getúlio, agora esse acidente do Eduardo Campos, então, se vive de reviravoltas. Coisas dramáticas que levam a política para um campo emocional que é muito perigoso. Mas estou muito confiante no eleitorado. Estou muito confiante nessa última pesquisa do Ibope e acho que, e torço, é claro, para que haja uma sensatez do eleitor nesse momento para escolher o Aécio para conduzir o País nesses próximos quatro anos aí.

PATRULHAMENTO

Eu acho que, pelo menos até onde posso entender, nós estamos em uma democracia onde cada cidadão tem o direito de emitir sua opinião, tem o direito de colocar suas ideias em contraponto a outras ideias. Assim como tenho as minhas ideias, respeito muito as ideias que não convergem com as minhas, mas acho que esse debate é importante. É da discussão que vem a luz. Eu não estou nem aí para esse patrulhamento. Quem faz esse tipo de patrulhamento é porque não está no jogo democrático.

Sinceramente, não dou muito papo para isso não. Eu procuro identificar na oposição. Quero dizer, na oposição às minhas colocações, pessoas que refutem minhas ideias com argumentos, mas não encontro. A própria campanha insidiosa que o PT está fazendo contra a Marina. Eu não apoio a Marina e vejo vários problemas com a Marina. Mas as minhas divergências com ela são políticas e é dentro desse plano que eu vou discutir com os apoiadores da Marina. E essa conduta que a Dilma, o PT e o Lula estão adotando, por exemplo, isso não engrandece, não aumenta a massa crítica da população de maneira nenhuma. Isso é prejudicial.

PT E ALIADOS

Eleição é um período muito bom porque é o período em que as pessoas discutem política. Discutem o destino do País, seus destinos, fazem uma reflexão sobre isso. Isso é uma grande contribuição das eleições. Infelizmente, o que a gente vê, o PT que é o partido aliado ao Sarney, ao Collor, ao Maluf adota a conduta mais atrasada. Essa conduta de ficar baixando o nível da campanha e fazendo acusações infundadas, mentindo. Mas eu também tenho muita esperança. O povo não é burro, não. O povo não é bobo e não vai cair nessa. Acho que o povo está cansado do PT.

JUVENTUDE

O recado para a juventude é que se interesse por política, se interesse pela história do nosso País, se interesse pela história de sua cidade, do seu Estado. Procure exercer a sua cidadania. Cidadania não são só direitos. Cidadania são deveres também. Vivenciar e trabalhar a vida comunitária. Viver a vida comunitária seja no seu prédio, no seu bairro, na sua rua, na sua escola, no seu trabalho. Viver é fazer política. Acho muito esdrúxulo a pessoa dizer “eu não me interesso por política”. Esse tiririquismo que tem. Quem não se interessa por política está condenado a ser governado por quem se interessa.

 DEMOCRACIA

Eu não quero fazer a cabeça de ninguém. Não sou cabeleireiro para fazer a cabeça dos outros. Acho que cada um deve adquirir suas convicções através de seus estudos, de sua reflexão, de seu conhecimento. Portanto, procurem conhecer a história do nosso país, principalmente, a nossa luta recente. A luta pela nossa democracia. O que aconteceu no nosso País. E procurem também dar uma contribuição à sociedade. Por menor que seja porque é esse engajamento que dá melhor consciência política, dá melhor postura política. Independente do que você pensava, suas conclusões são suas conclusões e aí eu vou respeitá-las, por mais diferentes que sejam das minhas. Democracia é isso aí.

 HUMOR

O humor tem se colocado na minha vida, basicamente, com o Agamenon que agora está na Veja também. Vai entrar na segunda semana. O Agamenon que estava no Globo, agora está na Veja, que é importantíssimo. Aí você vê que eu sacaneio todos os candidatos, inclusive o meu candidato Aécio Neves. Eu faço piadas sacaneando Aécio Neves. Então, isso mostra que a pessoa física, o cidadão, e a pessoa jurídica, são pessoas distintas. Eu falo que a campanha de Aécio vai decolar e vai decolar da pista de Cláudio, que ele mandou construir. Eu estou sacaneando ele e é meu dever de humorista. Humorista não tem partido, humorista não tem candidato. O cidadão tem. É aquela velha história. Eu faço porque na verdade eu quero aumentar a densidade política da sociedade. Que cada um vote segundo sua consciência. Não quero convencer ninguém. É aquela história “não me siga porque não sei para onde estou indo”. Quem sou eu para dizer quem está certo ou quem está errado? Eu coloco minhas ideias. Se as pessoas procurarem no meu blog (www.casseta.com.br/madureira), lá vão ver que eu exponho minhas ideias. Minhas ideias têm um porquê.

 PROJETO DO GOVERNO

Mas esse confronto tem que se dar com honestidade intelectual, com honestidade política, e não o poder pelo poder. E essa é a minha grande discordância do governo hoje. Estar no governo apenas com o projeto de poder. E não com o projeto de transformação da sociedade brasileira. Um projeto demagógico, patrimonialista, um projeto em que a corrupção campeia, um projeto em que o Brasil está alinhado com o que existe de pior hoje no mundo. Posso estar errado. Se alguém quiser vir esgrimar as ideias, estou aqui à disposição.

 

Matéria publicada originalmente no site LEIA-SE em 18/09/2014.  http://leiase.com.br/tucano-casseta-marcelo-madureira-cutuca-artistas-petistas/

361
ao todo.

DESFAÇATEZ ILIMITADA – DORA KRAMER

dora-kramer“Desfaçatez ilimitada”, por Dora Kramer

O Estado de São Paulo

Reza a história política dos últimos 12 anos que Luiz Inácio da Silva é o mais competente dos personagens que habitaram e transitaram pelo cenário do poder nesse período.
Trata-se de uma avaliação que leva em conta resultados como parâmetro. Se nessa régua forem colocados quesitos relativos a limites éticos Lula ocuparia o pódio na categoria dos políticos ardilosos. São qualidades diferentes e, portanto, implicam condições competitivas distintas.
O habilidoso dotado de princípios sempre estará em desvantagem diante do esperto cujos objetivos não conhecem regras nem observam valores. São aqueles que se pautam pelo dístico segundo o qual os fins justificam os meios. Atuam à margem, atropelam e em geral chegam na frente.
Transposto para o ambiente eleitoral, o conceito de “fim” é a vitória não importa quais sejam os métodos. Vale tudo. A mentira, a manipulação, a traição, a destruição de reputações à qual agora se chama pelo sofisma de “desconstrução de imagem”.
Nesse quesito o PT não tem limite. Já mostrou isso em diversas ocasiões. Na maioria, senão da totalidade delas, foi bem-sucedido do ponto de vista que interessa ao partido: o resultado imediato. Mostra-se surpreso agora com o tamanho do desgaste acumulado. Mas chega uma hora que as pessoas cansam de tanta insolência, menosprezo a regras e valores.
Decorre também daí – da economia e dos fracassos do governo – o cenário de dificuldade eleitoral para os petistas. Na economia e na administração promete “mudar mais”. Já no terreno da derrubada dos obstáculos ao alcance do objetivo principal aplica os métodos de sempre.
Desta vez com um grau de desfaçatez e falta de compromisso com a verossimilhança que dá a medida do medo que assola a tropa de vir a ser desalojada do aparelho de Estado.
A alternância de poder não lhes parece algo palatável. Só isso explica o nível da ofensiva contra a candidata do PSB, Marina Silva, desde que seu nome se firmou nas pesquisas como ameaça mais que real à reeleição de Dilma Rousseff.
O ataque começou em campo legítimo, na exploração das contradições do discurso e das posições defendidas por Marina Silva. Enveredou por comparações esdrúxulas, aludindo à dificuldades que ela poderia enfrentar por falta de apoio no Congresso e daí ter o mandato interrompido como Jânio Quadros e Fernando Collor. Uma distorção, mas só um pouco ridículo.
Em seguida entrou no campo das invencionices dizendo que a adversária venderia a Petrobrás, acabaria com o Banco do Brasil, suspenderia benefícios sociais e por aí afora. Nesta semana a coisa se agravou e chegou ao ponto da afronta pessoal. A uma bobagem de Marina sobre “bolsa banqueiro”, a presidente Dilma respondeu com uma ofensa: “Eu não tenho banqueiro me sustentando”. Em que sentido, quis dizer a presidente?
Deixou o entendimento de maneira desrespeitosa ao juízo do freguês. O ex-presidente Lula, o capitão do contra-ataque, divulgara que respeita Marina e por isso não bateria nela. Ardiloso, assiste em silêncio à pancadaria para a remoção do obstáculo.
278
ao todo.

Pontaria: Mais uma flecha certeira do Fernando Gabeira

fernando-gabeira-3

Fernando Gabeira: Abençoado por Deus e roubado com naturalidade

– O Estado de S. Paulo
Tá lá o corpo estendido no chão. Acabou uma época imprensada entre a crise econômica e uma profunda desconfiança da política. Não quero dizer com isso que o atual governo federal, com sua gigantesca capacidade, milhões de reais e a máquina do Estado, perderá a eleição. Não o subestimo. Quando digo que acabou uma época quero dizer que algo dentro de nós se está rompendo mais decisivamente, com as denúncias sobre o assalto à Petrobrás.
De um ponto de vista externo, você continua respeitando as leis e as decisões majoritárias. Mas internamente sabe que vive uma cisão. A contrapartida do respeito à maioria é negada quando o bloco do governo se transforma num grupo de assaltantes dos cofres públicos.
Uma fantástica máquina publicitária vai jogar fumaça nos nossos olhos. Intelectuais amigos vão dizer que sempre houve corrupção. Não se trata de um esquema de dominação. Ele tem seus métodos para confundir e argumentar.
O elenco escolhido pelo diretor da Petrobrás para encenar o grande assalto na política não chega a surpreender-me. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Henrique Alves, são atores experimentados. A diferença agora é que decidiram racionalizar. Renan e Alves viveram inúmeros escândalos separadamente. Agora estão juntos na mesma peça. Quem escreve sobre escândalos deve ser grato a eles. Com a presença num mesmo caso, Renan e Alves nos economizam um parágrafo. Partimos daí: os presidentes do Senado e da Câmara brasileira são acusados de assaltar a Petrobrás.
Deixamos para trás um Congresso em ruínas e vamos analisar o governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi acusado, o tesoureiro do PT também foi denunciado. As declarações deixam claro que Lula levou o diretor para o posto e elogiava seu trabalho na Petrobrás.
Em termos íntimos, não há governo nem Congresso para respeitar. Ambos já mudaram de qualidade. Os que se defendem afirmando que sempre houve corrupção não percebem a fragilidade do argumento. É como se estivessem diante do incêndio do Rio e alguém sussurrasse: “O Nero, lembra-se? O Nero também incendiou Roma”.
Grande parte dos analistas se interessa pela repercussão do escândalo na corrida presidencial. Meu foco é outro: a repercussão na sensação de ser brasileiro. Quem talvez conheça melhor essa sensação são as pessoas que vivem em favelas, dominadas pelo tráfico ou pela milícia.
Existem diferenças entre as favelas e o Brasil que as envolve. Diante de escândalos políticos somos livres para protestar, o que não é possível nos becos e vielas. E contamos com a Justiça. No caso do mensalão, o processo foi conduzido por um juiz obstinado e com dor nas costas, pouco tolerante a artifícios jurídicos. Neste caso da Petrobrás há indícios de que o juiz Sérgio Moro, competente em analisar crimes de lavagem de dinheiro, pretende avançar nas investigações. E avançar por um território que não é virgem, mas extremamente inexplorado: o universo das empreiteiras que subornam os políticos.
Lembro-me, no Parlamento, dos esforços do velho Pedro Simon para que se investigassem também as empreiteiras nos escândalos de suborno. Falar disso no Congresso é falar de corda em casa de enforcado. Ele não conseguiu. Mas Simon queria mostrar também que os políticos não se corrompem sozinhos. Desgastados, polarizam tanto a rejeição que poucos se interessam por quem deu dinheiro e com que objetivo.
Leio nos jornais que as empreiteiras fizeram um pool de excelentes advogados e, pela primeira vez na história, vão se defender de forma coordenada. Vão passar por um momento crucial. Ainda no Congresso, apresentei projeto regulando suas atividades no exterior. A presunção era de que mesmo no exterior o suborno era ilegal para uma empresa brasileira. Alguns países já adotam essa política.
Sinceramente, não sei se o caso das empreiteiras é apenas de bons advogados. Em muitos lugares do mundo, algumas empresas assumem seus erros e se comprometem com um novo tipo de relação com as leis. Isso no Brasil seria uma decisão audaciosa. Sem o suborno, devem pensar, não há chance de ter contratos com o governo.
Se, como no mensalão, a justiça for aplicada com severidade, também as empreiteiras serão punidas. Mais uma razão para pensar numa mudança de comportamento para a qual o País já está maduro. Todo esse processo de corrupção pode ser combatido, parcialmente, a partir de nova cultura empresarial. Os outros caminhos são transparência, Polícia Federal, Justiça, liberdade de imprensa e internet.
Quando afirmo que uma época acabou, repito, não excluo a vitória eleitoral das forças que assaltam a Petrobrás. Mas, neste caso, o governo sobreviverá como um fósforo frio. Maduro, na Venezuela, vê Chávez transfigurado em passarinho. Esse truque não vale aqui, pois Lula está vivo. E no meio da confusão.
Não creio que o Congresso será melhor nem que a oposição, que não soube combinar a crítica econômica com a rejeição moral, possa realizar algo radicalmente novo. O próprio Supremo não é mais o mesmo. Modestamente, podemos esperar apenas alguma melhoras e elas vão depender de como o povo interpretará o saque à Petrobrás. Na minha idade já não me posso enganar: Senado, Câmara, governo, tudo continua sendo formalmente o que é; no juízo pessoal, são um sistema que nos assalta.
O PT, via Gilberto Carvalho, acha que a corrupção é incontrolável e propõe financiamento público de campanha. Bela manobra, como se o dinheiro da Petrobrás não fosse público. Os adversários têm tudo para desconfiar da tese. Ficariam proibidos de arrecadar com empresas, enquanto dinheiro a rodo é canalizado das estatais para o PT, que se enrola na Bandeira Nacional e grita: “O petróleo é nosso!”.
Na medida em que tudo fique mais claro, talvez possamos até economizar palavras, como Renan e Alves nos economizaram um parágrafo participando do mesmo escândalo. Poderíamos usar a frase do mendigo em Esperando Godot, ao ser questionado sobre quem o espancou: os mesmos de sempre.
*Fernando Gabeira é jornalista
3.3mil
ao todo.

MARINA MORENA, MARINA VOCÊ SE PINTOU…

Marina-Silva-ao-lado-de-Eduardo-Campos-em-camapnha-à-presidência

O TEATRO DA POLÍTICA

Política é teatro: tem drama, tem comédia (de erros), vários canastrões em cena e, pior, muitas vezes acaba em tragédia. Política tem pathos, conflito. Na maior parte das vezes, conflitos de interesses, quando deveria ser de ideias.

Nós, o populacho, somos a plateia: assistimos, torcemos, procuramos nos identificar com algum personagem e, principalmente, torcemos pelo retorno do “herói”, que vem para nos redimir.

Não me canso de dizer que a grande “contribuição” dos governos do PT ao Brasil  foi consolidar na sociedade o descrédito na atividade política. Por isso mesmo, os eleitores não se mostravam muito motivados com as eleições de outubro próximo. O espetáculo estava chato. Um fracasso de público e de crítica. Espectadores entediados abandonavam a sala de espetáculo em busca de algo mais interessante para fazer.

Mas eis que surge o inesperado. Tal e qual um Deus Ex-Machina, o jato tenta um pouso, arremete e, qual um bólido, despedaça a candidatura de Eduardo Campos, propondo uma virada radical no enredo eleitoral.

Marina Silva, com todas as suas particularidades e idiossincrasias, vem à boca de cena para ocupar o papel de protagonista na trama. Marina é um personagem interessante. De origem muito humilde, educou-se, estudou, lutou muito e tem um ar de madona renascentista, sem deixar de ser cabocla. Marina é uma espécie de Madre Teresa de Calcutá, acreana, difícil não despertar a simpatia de uma boa parte do eleitorado. Confesso que admiro muito a pessoa Marina e, apesar de discordar de boa parte de suas posições políticas, acredito que sua candidatura só engrandece a disputa eleitoral.

As primeiras pesquisas indicam um ponto positivo em toda esta tragédia. O resgate de milhões de eleitores que não pretendiam votar ou votariam em branco ou, ainda pior, votariam nulo. Os fatos reaproximaram os eleitores do teatro político e isso é bom.

Um dos aspectos positivos da democracia são as eleições. Não pela simples disputa de quem perde e de quem ganha, mas pelo debate político que uma eleição enseja.

O processo eleitoral desperta a conversa política entre a população: entre amigos, parentes, colegas de trabalho, na fila do banco e na sala de espera do hospital. As eleições estimulam o debate, o confronto de pontos de vista, elevando o nível de politização da sociedade e, independente do resultado das urnas, a democracia sai fortalecida.

Neste sentido, o trágico sacrifício de Eduardo Campos não terá sido em vão.

E tenho dito.

231
ao todo.