O FIM DO COMEÇO

Canadian photographer Yousuf Karsh's famous image of a defiant Winston Churchill.

Se nós estamos aqui, hoje, eu escrevendo e você lendo, devemos isso a Winston Spencer Churchill. Foi Churchill quem resolveu enfrentar o nazismo, com ou sem a ajuda dos EUA (coisa que só veio depois), em 1940. O grande estadista convenceu o povo inglês a entrar na guerra. Isso porque as pesquisas indicavam que os ingleses, traumatizados com as perdas na Primeira Guerra, preferiam a paz em separado com Hitler a se meter em novo conflito. Mas Winston Churchill, certo de que o que estava em jogo era a existência da Democracia e a nossa Civilização Ocidental, conseguiu ganhar politicamente a população a enfrentar a ameaça nazifascista. Para isso, usou apenas a retórica, as palavras, arma poderosa que Winston usava com arte e precisão.

Depois de uma sequência de derrotas, os ingleses, ainda sozinhos, iniciaram uma arrancada irresistível de vitórias no norte da África, a mais famosa El Alamein. Ainda preocupado se os Estados Unidos iriam ou não apoiar os ingleses no conflito, Churchill pronunciou mais um de seus históricos discursos. Para conter o excesso de otimismo, cunhou um período que hoje se encaixa como uma luva na atual situação brasileira.

Na minha mesa de cabeceira tenho um livro com os discursos do velho Churchill. Gosto de ler alguns trechos nos momentos em que perco a esperança no Brasil.
Now this is not the end. It is not even the beginning of the end. But it is, perhaps, the end of the beginning – Winston Churchill.

Em tradução livre: “…isso não é o final. Não é sequer o começo do final. Mas, talvez, seja o final do começo”.

Pois é, estamos, provavelmente, às vésperas do impeachment da presidente Dilma. Batalha longa e dolorosa, uma etapa importante na empreitada de colocar o país novamente nos trilhos, o impeachment da presidente não significa, de maneira nenhuma, o final de nossos problemas.

Evidentemente, este movimento político traz uma mudança nas expectativas, uma inversão de tendências, para um ambiente mais otimista, que ajuda e muito na recuperação nacional.

No entanto, é necessário advertir a todos que temos ainda um longo calvário pela frente. Vamos viver momentos muito difíceis nos próximos dois anos, resultado da incompetência e desonestidade de 14 anos de lulopetismo. Não podemos esquecer que o espectro sinistro de Luiz Inácio Lula Silva ronda à solta pelo país, uma ameaça explícita à democracia.

O Brasil vai seguir na direção a que for a Operação Lava Jato, Zelotes e suas derivadas. Para bem caso prossigam aprofundando as investigações e dando sequência às suas consequências judiciais. Vai para mal no caso de um acordo criminoso entre as forças representantes do Brasil arcaico incriminadas em transações ilegais.

Não acredito muito na segunda hipótese pelo fato de que, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, as transações financeiras internacionais são cada vez mais monitoradas, principalmente aquelas relacionadas com o “dinheiro sujo” de origem duvidosa. Além do mais, as sociedades mais avançadas são cada vez menos tolerantes com governos e empresas de comportamento ético claudicante. Entretanto, parece que muitos da plutocracia criminal brasileira e seus caríssimos criminalistas ainda não se deram conta desse fenômeno.

E digo mais: com as revelações dos Panama Papers, um correspondente global da Operação Lava Jato, novos e novos escândalos virão à tona.

Portanto, creio que muitos personagens ainda sairão do armário por força da continuidade das investigações. Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Collor de Mello já estão na fila, não necessariamente nesta ordem. E olha que a fila já está dobrando a esquina.

Assim sendo, acredito eu, e respeitada a Constituição, caberá à ministra Cármen Lúcia, então presidente da Suprema Corte, a responsabilidade de conduzir o Brasil. Ela terá que convocar eleições em 90 dias. Mas quem é que ainda vai sobrar politicamente vivo no país?

Sou totalmente favorável à aplicação implacável da Lei a todos aqueles que estiverem envolvidos em negociatas e falcatruas. Seja quem for, sem exceções.

Resumo da ópera: um futuro incerto, embaçado e sombrio nos aguarda. E não existe Economia que avance num contexto político nebuloso desses.

A recuperação da Economia dar-se-á somente por um governo com forte apoio da sociedade brasileira. Para recolocar o Brasil no caminho certo, reorganizar as contas públicas e absorver os prejuízos, será necessário um enorme sacrifício de nosso povo e principalmente e, infelizmente, daqueles que menos têm, isso porque são aqueles que têm menos “gordura para queimar”.

Uma profunda reforma do Estado brasileiro irá contrariar muitas parcelas da população, principalmente daquelas dependentes do setor público. Direitos adquiridos, aposentadorias especiais, estabilidade no emprego e outros privilégios, tudo isso vai ter que acabar e muito mais! Reforma da Previdência, reforma fiscal, reforma política, tudo isso traz choro, sangue e ranger de dentes.

Não vai ser fácil, pessoal. Mas, para concluir com um pouco de otimismo, mais uma vez lanço mão do velho Churchill em discurso proferido no parlamento inglês no dia 18 de junho de 1940 no início da Segunda Guerra Mundial.

Naquela ocasião as forças do Reino Unido estavam tomando uma tremenda sova dos exércitos nazistas com a invasão da Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega e França. A Inglaterra lutava sozinha e Winston Churchill, à frente de um gabinete suprapartidário de salvação nacional, fez um longo discurso em que explicava as circunstâncias das derrotas e antevia as possibilidades de vitória. E por fim conclamava todos à luta. Nessa circunstância dramática, Churchill escreveu este parágrafo abaixo, uma pequena joia da literatura inglesa:

Let us therefore brace ourselves to our duties, and so bear ourselves that, if the British Empire and its Commonwealth last for a thousand years, men will still say, “This was their finest hour”.

Trecho belíssimo, que ouso traduzir e adaptar para a nossa realidade:

Vamos, portanto, nos dedicar de corpo e alma às nossas obrigações de cidadãos. E se o destino da nação brasileira for durar mais mil anos, daqui a mil anos nossos descendentes ainda haverão de se lembrar de nossa geração: “naquele momento eles se superaram”.

E tenho dito.

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O troco a caminho: Eduardo Cunha ameaça STF

O colunista Lauro Jardim comenta o recado “malcriado” enviado pelo presidente da Câmara dos Deputados para a ministra do STF Rosa Weber. Entenda os bastidores dessa relação. Já Geraldo Samor, de VEJA Mercados, fala sobre os números da inflação do mês de maio, divulgados ontem. Marcelo Madureira comenta o novo programa de investimentos do Governo. O diretor de redação de VEJA.com, Carlos Graieb, fala sobre a decisão do STF de liberar a publicação de biografias sem autorização prévia. Assista.

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PT promove a parasitagem do Estado em todas as classes, diz humorista

Ricardo Borges - Folhapress

Ricardo Borges – Folhapress

O humorista Marcelo Madureira, 56, acha que o PT promove no país a vitória da parasitagem do Estado: a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem o Bolsa BNDES. Enquanto isso acontece, os artistas, que ficaram reféns de dinheiro público, se omitem, afirma. “Em um momento como este, cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?”

Madureira é um entusiasta dos protestos contra o PT e esteve nos eventos de março e abril, inclusive discursando aos manifestantes. Ele, que foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na juventude, diz que a esquerda contemporânea tem “formação política tabajara” e não tem senso de humor. Leia, abaixo, a entrevista concedida à Folha.

Folha – Existe agora uma nova direita no país?
Marcelo Madureira –
Não dá para limitar a discussão aos termos esquerda e direita. A pergunta é que tipo de sociedade queremos. Aí eu digo: certamente não é a que o PT quer. Certamente não é aquelas que as pessoas que se dizem de esquerda propugnam, mesmo porque elas não sabem bem o que querem. É muito estranho. Hoje as pessoas se dizem de esquerda, mas não sabem dizer se são a favor ou contra a propriedade privada dos meios de produção.

Folha – Uma crítica comum é que existe uma “esquerda de Facebook”, que não se dedicou muito à leitura…
Marcelo Madureira –
Sim, é toda uma geração politicamente despreparada. A esquerda de hoje tem uma formação política tabajara. Você precisa perceber algo: o que as pessoas querem é ser legais, parecer legais, querem ser do bem. Na minha época era mais fácil. A direita era o mal, a esquerda era o bem.
Mas isso não existe mais. O mundo se apresentou muito mais complexo. Essa tentação de ter resposta para tudo não convence mais.

Folha – Mas sempre houve a noção de que os fins justificam os meios
Marcelo Madureira –
Mas os fins serem a conta bancária da cunhada? [risos]

Folha – Sua crítica maior ao PT é a corrupção?
Marcelo Madureira –
Não. Muito pior que a roubalheira, é a incompetência. A questão na Petrobras não é só roubar, é a gestão desastrosa. O que nos alivia é: embora tenham batido os recordes, talvez sejam incompetentes para roubalheira também.
O pior é que o PT reforça a vitória do atraso. Que sociedade é essa que você quer construir em que o sonho das pessoas se limita a, se for da classe média, passar em um concurso público; se for pobre, arranjar Bolsa Família; e, se for rico, conseguir uma “Bolsa BNDES”? Todo mundo passa a querer ser parasita do Estado. Não há país que dê certo assim.

Folha – Mas, enquanto isso foi acontecendo, o que se viu na oposição foi certo silêncio.
Marcelo Madureira –
A oposição deixou a desejar? Deixou. Foi omissa, em alguns momentos até cooptada. O preço disso está sendo pago.

Há muita crítica ao papel do PSDB neste momento.
Marcelo Madureira –
Eu votei no Aécio, até fiz um videozinho para a campanha. O PSDB tem certo reconhecimento de que há uma perplexidade, essa complexidade nas coisas. Há discussões densas que têm de ser feitas, as soluções não são simples, precisamos pensar também no longo prazo.
Mas, sim, eu vejo uma parcela grande da juventude querendo fazer política, e com frequência eles não encontram representação. Em alguns casos, o que acaba surgindo entre eles é até uma ideia meio exagerada de política liberal, de Estado mínimo. Eu não comungo totalmente com isso. É algo que precisa ser discutido com calma.

Folha – Talvez seja um pouco uma reação pendular, uma maneira de reforçar a oposição ao pensamento estatista.
Marcelo Madureira –
Sim, é um movimento pendular, você vai em busca de um oposto, mas neste caso me parece oposto demais.

Folha – Essa é uma contradição que a esquerda aponta: nas manifestações recentes, tem o liberal de Chicago, o conservador cristão, até o cara que pede a volta dos militares.
Marcelo Madureira –
Vejo isso como pluralismo, acho até admirável, desde que se respeite as regras da democracia. Eu não tenho nada contra os cristãos, contra o pessoal do quartel. Mas acho suprema ignorância pedir a volta dos militares.

Folha – Você se incomoda de ser chamado de coxinha?
Marcelo Madureira –
Eu não. Meu único ponto é que as coxinhas de São Paulo são muito melhores do que as do Rio. Vou mandar trazer um monte e fazer uma “Coxinha’s Party”. Quem não tem senso de humor, não sabe rir de si mesma, é a esquerda.

Folha – Como ficou sua relação com o meio artístico quando você criticou a esquerda, declarou voto no Aécio?
Marcelo Madureira –
Eu não frequento muito o meio artístico, prefiro ficar em casa lendo, vendo filme. Mas é lamentável o papel da classe artística. É digno de pena. Em um momento como esse, os artistas completamente omissos. Cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?

Folha – Muitos artistas e até jornalistas têm hoje situação muito complicada de dependência de dinheiro público, não?
Marcelo Madureira –
Sim, e não foi só a classe artística. Foi o meio acadêmico, uma parcela dos intelectuais. Veja o MST [Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra] também. Está todo mundo imbricado de verbinhas. A explicação? Bom, no fundo, como sempre, basta seguir o dinheiro. No nível pessoal, creio que tenha perdido oportunidades de trabalho, de comerciais. Não vou aqui falar apontando nomes, mas acontece isso de “não, o Madureira não”.

Folha – Influenciou sua relação com os colegas do “Casseta?
Marcelo Madureira –
Não, nesse caso não. Alguém inventou que tínhamos brigado. Nada disso. Sempre fomos pluralistas e, para falar a verdade, o pessoal lá não pensa muito diferente de mim, não…

Folha – Vocês fizeram piada com vários governos.
Marcelo Madureira –
Sim, embora não se faça muita piada política no Brasil. Eu atribuo o fato de o “Casseta & Planeta” ter saído do ar à pouca disposição da TV Globo de deixar a gente fazer piada política.

Folha – Mas vocês fizeram isso por quase 20 anos.
Marcelo Madureira –
Sim, mas aí começaram cortes, cortes e mais cortes de conteúdo. Não acho que isso seja censura, veja bem. Cada empresa tem suas regras. Se você não concorda, você pede demissão. Censura vem do Estado. Mas, de qualquer forma, o programa foi perdendo “punch”, aquela verve crítica, que era vital. Mas isso é uma decisão dos empresários.

Folha – Você foi militante do PCB. É inevitável ser de esquerda na juventude?
Marcelo Madureira –
Posso falar do meu caso. Eu fui procurando ao longo do tempo pensar, ter senso crítico, falar “pô, eu tô errado”. Já defendi até o Partido Comunista da União Soviética. E agora? Não vou ficar aqui fazendo revisionismo histórico da minha própria vida. Na época, era o que parecia mais certo. Não faço, digamos, que nem “O Globo” fez, aquele papel ridículo. [Em 2013, o jornal publicou que apoiar o golpe de 1964 tinha sido um erro.]

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ENEM: QUEM DEU PRA PASSAR ?

Wallpaper-de-BurroENEM: QUEM DEU PRA PASSAR ?

Depois do sorteio da Mega-Sena da Virada e do anúncio do novo Ministério da Dilma, acaba de sair o resultado do ENEM. Pelas notas alcançadas no exame, pode-se concluir que as vagas ficaram acumuladas para o ano que vem. Em vista da quantidade recorde de candidatos que tomou pau nas provas, o novo ministro da Inducassão, Cid Gomes, resolveu tomar uma providência: mudou o nome do exame para ENEMA. Aliás, o Cid Gomes não tem culpa nenhuma nessa história. Ele nem queria ser ministro da Educação. Ninguém quer, não dá para roubar nada nesse ministério, no máximo a merenda escolar, uma mixaria.

Se tem uma coisa que não para de crescer no Brasil é a inguinoranssia. A burrice no Brasil é mais uma obra do PAC, mais uma conquista revolucionária dos governos do PT. Obra inconteste da nossa esquerda genial, que quer transformar o Brasil num país mais igualitário: o PT já conseguiu socializar a burrice. Quer dizer, quase, ainda tem uma minoria de 67 mil alunos, da elite branca de olhos azuis, um bando de coxinhas, que insiste em passar no exame. Mais isso vai acabar.

A presidenta Dilma Roskoff vai lançar ainda esta semana mais dois programas de integração social de grande impacto: o “Bolça Inguinorância” e outro, só para empreiteiros, “Meu Primeiro Emprego Errado de Verba Federal  Transitiva Indireta”.

No futuro o Brasil vai se transformar num imenso PRONATEC, aliás o Ministério da Dilma deveria ter feito a prova do ENEM antes de ser nomeado. Não sobrava ninguém. Mas esta é a nossa vocação e o nosso destino: a imbecilidade. Ficou provado na última eleição que o brasileiro é burro. No Brasil só vence na vida quem não estuda. Vejam o caso do Lula: analfabeto de pai e mãe, nem terminou o primário, chegou a presidente e nunca foi preso. Tudo por falta de provas.

Por isso que todo mundo quer fazer concurso para arrumar emprego público: não precisa ler, escrever nem trabalhar. Aliás, no próximo concurso para diretoria da Petrobras, o candidato vai ter que ter cursado pelo menos uma penitenciária, obrigatoriamente. É para melhorar o nível.

Agora vamos ver, meu caro(a) leitor(a), se você passaria no ENEM. Vamos fazer um pequeno teste:

Na oração “Estou morrendo de calor!”, onde está o sujeito ?

Resposta correta: O sujeito está no Rio de Janeiro.

E tenho dito.

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BASTA DE FÉRIAS!

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Detesto esses dias entre o Natal e o princípio do ano quando boa parte da civilização judaico-cristã ocidental se dedica a comilanças, bebedeiras, acidentes de trânsito e a dar vexames nas festas “da firma”. Prefiro submergir, desaparecer, se possível ficar escondido em algum lugar remoto do planeta, sem nenhum contato com o mundo exterior. Se depender da telefonia celular brasileira é muito fácil. Passei uma semana em Búzios, litoral do Rio de Janeiro e, apesar do aparelho indicar 3G e sinal pleno, mal conseguia completar uma chamada. Transmissão ou recepção de dados? Nem pensar. E olha que sou cliente da VIVO, que é considerada a menos pior. Imagina se Búzios ficasse no meio da floresta amazônica. Nós, brasileiros, povo cordial e tolerante, somos assim mesmo: pagamos (caro) por um serviço que, quando é prestado, é feito mal e porcamente. Seja no setor público como no privado. Nada funciona como deveria e fica tudo por isso mesmo. Vá reclamar ao bispo, o único direito do consumidor é pagar a conta. Estamos ainda a algumas centenas de anos do que se entende por uma economia de mercado onde “o freguês sempre tem razão”.

Não assisti à posse de Dilma II, a revanche. Vi trechos do melancólico desfile pela Esplanada dos Ministérios e a tradicional foto com o novo (?) ministério. O retrato é o triunfo da mediocridade. Aliás, daqui a alguns meses a mesma foto poderá ser utilizada pela Polícia Federal para o “manjamento” dos implicados no petrolão e outros escândalos que ainda estão por vir.

O ano mal começou e a presidente já mostrou ao que (não) veio desautorizando o ministro do Planejamento que avisara que o governo iria mudar o cálculo de reajuste do salário mínimo. Se tivesse dois milímetros de hombridade, Barbosinha, o ministrinho, deveria ter pedido demissão.

Para minha humílima pessoa é muito difícil o exercício do ócio. Tenho que fazer força para conseguir ficar sem fazer nada. Acaba que, como sempre, fico trancado no ar condicionado enfurnado nas minhas leituras. Li um livro muito interessante: The Pratice and Theory of Bolshevism, do Bertrand Russell.

O inglês Bertrand Russel (1872-1970) foi um sagaz matemático, brilhante filósofo e ativista político de esquerda no princípio do século passado. Logo depois da revolução bolchevique na Rússia, Russel fez uma viagem de dois meses pelo país dos sovietes para averiguar a situação. Entrevistou Lênin e Trotski em pessoa, esteve com o escritor Maxim Gorki além de dezenas de próceres da revolução bolchevique. Mais do que isso, andou pelas cidades, vilas e aldeias, conversou com artistas, intelectuais e gente do povo. Na sua volta à Inglaterra, Bertrand Russell escreveu The Practice and Theory of Bolshevism, uma crítica demolidora, pela esquerda, do regime que Lênin e seus capangas estavam implantando. Muito curioso o capítulo em que analisa o comportamento da classe artística da época. Dá para fazer um ótimo paralelo com a classe artística brasileira nos tempos que correm. Muito parecidas no oportunismo. É claro que a conclusão do autor, bastante visionária, foi de que aquilo tudo não tinha a menor chance de dar certo. Boa leitura, são só 70 páginas. Não consegui encontrar o livro em português, mas na Amazon, baixando no Kindle, sai de graça.

E tenho dito.

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A NAU DOS INSENSATOS

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A nau sem rumo parte com destino a lugar nenhum… O porão está cheio de ratos, o mar proceloso e a comandante é inepta, arrogante e ignorante. Não tem Pronatec que dê jeito. Não esqueçam do seu criador, que, por ora, absconso em São Bernardo do Campo, faz cara de paisagem como se nada fosse com ele. E la nave va… O pior de tudo é que estamos todos embarcados nela.

E o que é este ministério? Um bando incapaz de formular qualquer proposta para sair do imbróglio em que este presidencialismo de latifúndio nos meteu. Aliás, adoro o termo “ministério de porteira fechada”, é como se fosse um direito de lavra, uma concessão pública para se apoderar e explorar o aparelho de Estado. A presidente reeleita chegou ao paroxismo de pedir folha corrida do candidato a ministro antes de nomeá-lo. É só ver a lista para concluir que, para o PT, ministério é prêmio de consolação para quem é derrotado nas urnas. Alguém pode me explicar por que todo ministro de Inclusão Social (aliás, para que serve isso?) tem que ser afrodescendente? É monopólio? Será que não existe nenhum caucasiano, caboclo, mameluco ou cafuzo capaz de promover a tal “integração”?

Joaquim Levy, nem tomou posse, já está desmoralizado. No apagar das luzes o Tesouro mandou mais 40 bilhões de reais para os cofres do BNDES e a presidente mandou distribuir 400 milhões para o Congresso atropelar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Joaquim Levy é bobo e vítima da própria vaidade.

E lá vamos nós em direção a 2015! As “esquerdas modernas”, bando de picaretas ingênuos, vão perceber que os “avanços sociais dos governos do PT” têm pés de barro, vitória de Pirro. Não se sustentam num país que está com as finanças quebradas. O único avanço que tivemos nos governos lulopetistas foi o avanço no dinheiro público.

A verdade é que o “sistema” se exauriu. É disfuncional. Chegou a ter uma sobrevida de 30 anos, depois da redemocratização do país (o que em termos de História não é nada). Mas numa democracia plena e com os avanços na tecnologia de controle individual do cidadão – com tudo de bom e ruim que isso enseja –, para se roubar a sociedade há que se ter mais competência e sutileza. O criminoso patrimonialismo petista não sobrevive nas democracias contemporâneas.

Feliz Natal? Pra quem? Próspero Ano Novo? Como?

E tenho dito.

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