BRANCO SAFADO

Recomeça hoje o julgamento do mensalão. Mas já  não era para ter acabado? Não, não no Brasil, onde só os 3 Pês vão para cadeia: pobre, preto e puta. Não necessariamente nesta ordem. No próximo capítulo da novela vamos saber se o presidente do STF, juiz Joaquim Barbosa, deve ou não pedir desculpas ao seu colega de toga, Ricardo Lewandowski. Joaquim acusou Ricardo de estar fazendo chicana. Prática muito comum (mas nada recomendável) em nossos tribunais.

Acho que não deve, e mais, Joaquim podia muito bem ainda tê-lo apodado de “branco safado” e “caucasiano ladrão”. Não o fez com medo de ser enquadrado na Lei Afonso Arinos. A reação do juiz Joaquim representa a ampla maioria da sociedade brasileira. Desde o início do julgamento, Lewandoswski abriu mão do seu papel de juiz para vestir a carapuça de “adevogado” dos réus do crime de lesa democracia. Ele e seu acólito, o jovem Dias Toffoli, que só entrou para o Excelso Sodalício por conta de seu notório “não saber” jurídico. Por duas vezes foi reprovado no exame para magistratura.

Ao nomear um negro para a mais alta corte do país, o ex-atual-presidente-em-exercício acreditava que estava fazendo mais uma de suas jogadas de alta demagogia. Ele não contava com o pau de aroeira que agora canta no lombo de quem mandou bater. Errou duas vezes, primeiro na demagogia e, em segundo lugar, achando que  Joaquim, por ser negro, de origem humilde, iria se acoelhar, como tantos negros brasileiros fizeram ao longo da história com medo do chicote do feitor. E por falar no Lula, vai faltar alguém em Tatuapé.

No tribunal o que está em julgamento não é o destino de José Dirceu e seu bando. O que o resultado final desta questão vai definir é em que tipo de sociedade, com que valores, vão viver nossos filhos e  netos. E mais, vai determinar como nossa geração será avaliada pela História. Seremos os contemporâneos co-responsáveis de um Brasil em que tudo se podia ?

Joaquim não perdeu a compostura; quem nunca a teve foi o meritíssimo magistrado Lewandowski que prefere servir a outros senhores a servir sua própria consciência.

Tenho dito.