MAS, AFINAL, VOCÊ É DE ESQUERDA OU DE DIREITA?

28-03 - direira_e_esquerda_Marcelo_Madureira_Casseta

Este é um assunto de discussão desgastante, reducionista e inútil, mas que faz parte do cotidiano dos brasileiros nos tempos que correm.

Que coisa mais cansativa, em pleno século 21, ficar parado nesse assunto anacrônico. Depois da queda do Muro de Berlim, falar de esquerda contra direita cheira a naftalina.

Algumas lições do século passado: qualquer ditadura, seja de direita, seja de esquerda, não funciona. Fora da Democracia, com todos os seus defeitos, não parece haver saída. Senão, vejamos: a experiência do socialismo real definitivamente não funcionou. Em lugar nenhum do mundo. Por seu caráter autoritário, centralizador, burocrata e nepotista, o socialismo real não favorece a produtividade na Economia nem a meritocracia na Sociedade. A ideia é socializar a escassez, preservando dos sacrifícios a elite privilegiada do Partido. O Estado, pai e patrão, toma conta da vida de todos. Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que o resto.

O Capitalismo, com seu empreendedorismo – o espírito animal, no seu sentido positivo – é mais criativo, competitivo e meritocrático. Por outro lado, é mais individualista e concentrador de renda, ou melhor, gera riqueza, mas não a distribui de maneira razoável. E isso vai de encontro à nossa moral judaico-cristã ocidental. Mas, afinal, o que seria o “razoável”? E quem vai pagar esta conta? Não existe almoço grátis…

Na livre iniciativa, temos mais conflitos, mais disputas por mercados e ideias. O poder do dinheiro pode ser discricionário se não existir um aparelho de Justiça eficiente para equilibrar a sociedade. Por outro lado, Economias capitalistas, por definição, pressupõem pleno regime democrático.

Mas, afinal, o que é ser de esquerda hoje em dia? É ser por uma sociedade mais solidária? Mais fraterna? Menos conflituosa? Onde a cada cidadão estejam garantidos saúde, educação, segurança, moradia, trabalho e, de lambuja, a felicidade plena?

Não conheço ninguém que seja contra isso. Mas a pergunta é: como? Qual é a proposta real e prática de construção de uma sociedade socialista funcional no mundo contemporâneo?

Uma pessoa menos ambiciosa vai ter o mesmo welfare de uma outra que se dedica com mais afinco à atividade produtiva?

Veja bem, não estou querendo fazer nenhum juízo de valor sobre cada um desses comportamentos. Cada um no seu quadrado. É o individualismo contra a individualidade.

É possível existir uma sociedade igualitária?

E como é que se opera este milagre se as relações entre Capital e Trabalho são muito diferentes daquelas no século 20, que dirá do século 19, quando a teoria marxista foi formulada?

A pergunta agora é: em que tipo de sociedade queremos viver globalmente?

Eis a questão que se coloca num mundo em que uma pessoa na Dinamarca tem uma qualidade de vida muito diferente do seu semelhante que, por acaso, nasceu e vive em Burquina Faso.

Todo dia penso nisso, mas ainda não tenho uma resposta.

Infelizmente, ou felizmente, o mundo, a vida, o ser humano são muito mais complicados. As complexidades do mundo não admitem um exame da questão limitada, obtusa, simplificadora e ingênua entre bom e mau, certo ou errado.

É um problemão, sem dúvida. Mas temos que nos debruçar sobre ele. Talvez seja este o sentido da vida.

E tenho dito.

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NÓS, OS BRASILEIROS: OS PERPLEXOS SEM GUIA

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O Guia dos Perplexos foi escrito no século XII pelo sábio rabino Moshe ben Maimon, mais conhecido como Maimônides. Trata-se de uma obra seminal da cultura judaica, que procura explicar como fica a questão da fé frente a questões objetivas e controversas, tais como: Como começou o Universo? Ele terá um fim? Qual é a natureza do Mal? A complexidade dos organismos biológicos implica na existência de um projeto racional de um “Ser Superior”? E por aí vai.

Enfim, Maimônides, judeu nascido no Califado de Córdoba em pleno renascimento da cultura árabe (naquele tempo não existia o ISIS) foi fundo no tema das perguntas sem resposta e da perplexidade que elas nos despertam e nos acompanha na dura e breve jornada de nossa existência. Teologia com filosofia em três livros, um regalo para quem gosta do assunto.

Mas, ô Madureira, o que tem a ver Maimônides com o Brasil? Tudo. Tudo e nada. Tudo porque somos o país dos perplexos, e nada porque não temos um guia, um manual, um código que nos auxilie a enfrentar toda essa nossa perplexidade paralisante.

Senão, vejamos: estamos numa encruzilhada. Em que tipo de sociedade queremos viver? Na sociedade do juiz Sérgio Moro ou na sociedade do Lula? O pior é que ainda estamos na dúvida sobre que caminho queremos seguir.

A cadeia (com duplo sentido, por favor) de fatos que a Operação Lava-Jato vai derramando, dia após dia, nos confronta com uma situação que por séculos evitamos enfrentar. Somos uma sociedade tolerante com os poderosos, mesmo porque, de quando em quando, eles distribuem migalhas na direção dos miseráveis. Por isso mesmo, os poderosos se acham acima da Lei e tudo podem e tudo fazem, sem medir as consequências. A prisão do banqueiro André Esteves e do empreiteiro Marcelo Odebrecht comprova o que estou dizendo.

Mas um belo dia a conta chega e aí ficamos perplexos feito um cachorro na chuva, ensopados, tremendo de frio e medo, procurando um canto para nos esconder.

O país à deriva, inflação, desemprego, crise política, crise moral, e os poderes da República só pensam no recesso que se avizinha. Que recesso? Como se, com o início do “recesso”, sairíamos flutuando na lama do Rio Doce até depois do Carnaval, desaguando no Oceano Atlântico onde tudo se dissolveria. Ledo e ivo engano.

O único eixo dinâmico do Brasil que está funcionado é o Poder Judiciário. O Judiciário cumpre o papel de avalista da democracia no país. O Executivo e o Legislativo se encontram usurpados, reféns da corrupção mais vil e da incompetência mais primária. Eles contam com a nossa inação, a nossa perplexidade.

Os problemas são de tal magnitude, de tal complexidade, que os intelectuais mais confiáveis e honestos confessam que não conseguem enxergar nenhuma saída para esta “camisa de sete varas” em que nos metemos.

Tudo bem, mas não é virando as costas para os nossos problemas que eles vão desaparecer. Recesso? Vocês estão malucos?

E tenho dito.

 

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ALTERNATIVO É POP – MARCELO MADUREIRA

Na segunda parte da entrevista, Marcelo Madureira conta como descobriu sua paixão por livros e Monty Python.

Sobre o programa: O Programa Alternativo é POP vem com a proposta de mostrar o conceito sobre “Cultura Alternativa” das ruas e no mundo corporativo, entre mídia alternativa, música, teatro, cinema, galerias, restaurantes entre outros. Buscamos fazer um programa que aborde todos esses temas de uma forma natural e dinâmica.

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EDUARDO CUNHA, AMARGA ILUSÃO

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Andando pelas ruas das cidades, viajando pelos estados do Brasil, por Seca e Meca, de déu em déu e só me fazem uma única indagação: o que você acha do deputado Eduardo Cunha?

Eu não acho nada. Não acho nada nem vou procurar. Eduardo Cunha não tem currículo, tem um prontuário. Mas, se não tem currículo, Eduardo Cunha tem contas na Suíça, as quais nega e renega tal e qual um Maluf com sotaque carioca. Acusado de receber propinas milionárias, faz cara de paisagem e continua na presidência da Câmara dos Deputados. Mentir no Brasil virou prática política. Por muito menos o rústico parlamentar pernambucano Severino Cavalcanti renunciou. Ou foi “renunciado”. Eduardo Cunha presidindo a Câmara dos Deputados em Brasília… nada mais coerente com a realidade que vivemos.

Ilusão achar que Eduardo Cunha, nessa altura do campeonato, tenha uma milimétrica nesga de interesse nos destinos da Nação e dê início a um processo de impeachment. Ele só quer salvar o seu mandato, que, se existir ainda um pingo de bom senso no país, não vale dez tostões de mel coado.

 Vivemos num país de desenganados, querendo acreditar em qualquer coisa: milagre, garrafada, mezinha ou tisana que nos liberte deste pesadelo cotidiano. Lentamente afundamos em nossa própria lama.

 Se a nossa última esperança for o Eduardo Cunha, é porque estamos definitivamente fo…, quer dizer, ferrados.

 E tenho dito.

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Cortes de Levy atingem até o regime de Dilma

Como se o Brasil vivesse a mil maravilhas, a oposição viaja para Nova York. Enquanto isso, Fachin advoga em causa própria e Dilma inaugura “até banco de praça”. Assista ao ‘Belo e a Fera’ com Joice Hasselmann e Marcelo Madureira e vote no panaca da semana: Luiz Edson Fachin, Álvaro Dias e na lanterna, sempre ele, Rubinho Barrichello. Clique na imagem para assistir.

19-05 o belo e a fera

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