ELEIÇÕES 2014: NA RETA FINAL

Faltam poucos dias para as eleições. A incerteza é grande. Haverá segundo turno? Tudo indica que sim. Segundo as pesquisas, o eleitorado de Dilma fica estacionado em cerca de 40% dos votos, enquanto Aécio e Marina, tirando os brancos e nulos, disputam os 45% restantes. Aécio mostra um movimento ascendente enquanto Marina da Silva, em oposição, vem caindo nas intenções de voto dos eleitores. Um dos dois contendores estará no segundo turno.

Até aqui as campanhas, todas elas, deixam a desejar em termos de conteúdo e aprofundamento da discussão política. A do PT e seus coligados fazem a anticampanha política, baseada em populismo rastaquera, mentiras e terrorismo marqueteiro. Mas desta cambada de cafajestes eu não esperava outra coisa. Pensava que as campanhas de Aécio e Marina poderiam esclarecer melhor o eleitorado, principalmente com relação ao plano de governo. Acredito que, além da estratégia de desalojar os petistas e seus capangas do poder, os dois postulantes têm, nas suas ideias para o Brasil, pontos de convergência, muitos vasos comunicantes. Mas creio que os dois candidatos não deixaram isso claro para o eleitorado. Mesmo porque para se derrotar o lulopetismo e governar o Brasil, há que se fazer acordos, mas não acordos fisiológicos, com a divisão do aparelho de Estado como se fosse um butim. Há que se fazer uma coalização baseada em plano de governo, com metas e objetivos bem claros.

Por isso mesmo, creio que é uma boa tática não “queimar as pontes” entre as duas candidaturas de oposição ao governo. O eleitor deve julgar qual dos dois é mais preparado, não só para derrotar o lulopetismo, mas, principalmente, para governar o país.

No segundo turno, zera tudo. Os dois finalistas têm o mesmo tempo de televisão, a campanha se polariza e as campanhas precisam ser mais assertivas com relação ao que os candidatos pretendem e como vão conduzir o Poder Executivo. É a hora da verdade, quer dizer, para aqueles que têm a “verdade” como um valor universal.

Não se pode esquecer a importância de uma escolha criteriosa por parte do eleitor de seus candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados. Estas senhoras e senhores serão responsáveis pela atividade legislativa democrática e ética, essencial para se fazer um bom governo. Eu sempre anoto e guardo, em lugar visível, o nome dos candidatos em quem votei, é uma boa prática.

Para mim, dia de eleição é um dia especial. Eu sei o quanto custou recuperar a nossa Democracia. Emocionado, mas sem veadagem, pego o meu título de eleitor, vou até a minha sessão, entro na fila e voto. Pode ser pouco, mas é muito. Quando estou ali, na solidão da cabine eleitoral, digitando os números dos meus candidatos, eu penso que tipo de Brasil eu quero para os meus filhos e netos.

Por isso, votarei Aécio 45.

E tenho dito.

 

Eleições chapa quente!

O crescimento da candidata Marina Silva mostra que um enorme contingente de eleitores se interessa pelo processo político. Observando os números da última pesquisa para presidente, pode-se notar que os eleitores de Dilma, em sua maioria, se encontram nos segmentos mais pobres e com o menor nível de escolaridade. Isso quer dizer que as pessoas menos esclarecidas ainda são reféns do governo. Quanto mais debate, melhor será a qualidade do voto. E isso não interessa ao PT.

TRISTES TRÓPICOS

Claude Lévi-Strauss, antropólogo e filósofo francês, andou pelo Brasil na década de trinta lecionando na USP. Depois escreveu Tristes Trópicos, um clássico das ciências sociais, onde vaticinava que o Brasil seria um país que passaria da barbárie a decadência sem conhecer o apogeu. Lévi-Strauss tinha toda razão. Como eu havia escrito na semana passada, depois do histórico voto do juiz Celso de Mello aceitando os embargos infringentes, nada aconteceu no país. E nada acontecerá, assim como nada nunca aconteceu. No Brasil, o país do compadrismo, tudo tem que ser julgado de maneira “ponderada”, sem pressa, pensado e repensado, longe do clamor das multidões. Afinal, a nossa justiça, lenta e segura, esta aí para isso mesmo. Para evitar que os poderosos de plantão, apesar de condenados por delitos graves, sejam incorporados à população carcerária.

E como se fora pouco, agora vem o Superior Tribunal Eleitoral, sempre amparado na Lei,  indeferir o registro da REDE de Marina Silva, cassando o provável voto de uma parcela ponderável de brasileiros. O STF também esta aí para isso mesmo, para zelar pela subordinação dos partidos ao Estado, identificando de forma burocrática quais as agremiações políticas podem participar do butim do Fundo Partidário. E são muitos, mas muito poucos representativos do conjunto do eleitorado. No Brasil, fundar igreja, sindicato ou partido é um grande negócio.

Em tempo. Apesar de admirar a pessoa, Marina Silva não é a minha candidata.

Tenho dito.