INDULTO DE NATAL

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Waldemar Costa Neto, um dos apenados do mensalão, foi autorizado pelo STF a passar o Natal com a mãe. Olha só! Não é que o Waldemar tem mãe???!!! Claro que tem, pelo menos no imaginário da população que conhece a fundo a vida da veneranda senhora e a trajetória do seu rebento. O povo tem certeza que a “mamãe” criou o seu “garotão” com o suor da labuta, exercendo, de sol a sol, a mais antiga das profissões. Vejam bem, me refiro a uma “mãe imaginária”, muito embora a mãe biológica, com certeza, já vetusta, decana e encanecida, foi condenada pelo criador a uma vida longeva para poder testemunhar o destino do seu talentoso “Mazinho”.

Todo mundo tem pai e mãe, mas não são todos que têm o privilégio de ser criados por ambos. Mas a ampla maioria dos brasileiros, por mais pobres que sejam, conviveram com pai e mãe e receberam, desde a mais tenra infância, os ensinamentos básicos do que é certo e do que é errado. Menos o Waldemar. E o Renan. E o Zé Ribamar. E o Jáder… E tem mais o Paulo, o Luiz Inácio, o Fernandinho… a lista é grande. Quer dizer, ou não receberam esses ensinamentos ou não quiseram aprender. Pior para eles, para as mães e muito pior para nós, brasileiros.

Para esses genitores, que fracassaram naquilo que é mais importante no exercício da paternidade e da maternidade, fica a danação eterna, a pena máxima: passar o Natal com o Waldemar que, no lugar de uma biografia, apresenta uma extensa folha corrida.

E tenho dito.

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A TRAGÉDIA PETISTA – 2

PARTIDO BANDIDAGEM_2Zander, Navarro – A tragédia petista – 2

– O Estado de S. Paulo

 

Nesta página esbocei uma interpretação sociológica acerca do desenvolvimento do campo petista (A tragédia petista, 26/10) e agora cabe determinar uma equação que possa revelar as principais variáveis de sua sustentação. Quem sabe, assim, entenderemos os ingredientes que explicam o continuado êxito eleitoral do PT.

 

Na analogia com a matemática, seriam muitas as variáveis a desvendar, entre as principais e as secundárias. Algumas surpreendem, como a espantosa passividade de nosso povo, sujeitando-se às corriqueiras manipulações do sistema partidário, comportamento que inclui até cientistas sociais com elevada formação científica.

 

Mas outras variáveis não são inesperadas, como o uso do Estado com fins primordialmente partidários ou a ocorrência dos absurdos gastos com propaganda. São fatos que tornam remotos os ideais republicanos que nos deveriam orientar.

 

Neste comentário sugiro que duas constantes e uma incógnita também compõem a equação, todas demonstrativas do crescimento do campo petista, especialmente nos anos pós-Constituinte e no curso da democratização do País. Contudo não são as variáveis que seriam logicamente antecipadas e a incógnita, provavelmente, não tem nenhuma chance de ser desvendada. Já as duas constantes constituem o eixo central do edifício petista.

 

A primeira delas diz respeito à capacidade de elevar ininterruptamente o caudal de votos destinados ao partido. Numa democracia eleitoral, o acesso ao poder e ao Estado requer maiorias em eleições regulares. Aqui, o mecanismo decorreu da sorte circunstancial do campo petista, que foi a explosão contemporânea da expressão participação social. Esta surgira pelas mãos da clássica teoria democrática pluralista, definida, em especial, por autores norte-americanos, como Robert Dahl e outros, nos anos 1970. Mas foi expressão tornada obrigatória apenas na década de 1990, em quase todo o mundo. Ideólogos petistas, entretanto, dela se apropriaram, tornando-a (falsamente) uma prerrogativa da tradição da esquerda.

 

Participação social tornou-se o fulcro da propaganda do partido, prometendo que os cidadãos teriam poder decisório sobre as coisas públicas, um sonho de teorias democráticas que a esquerda petista, espertamente, vendeu como criação sua. Foi assim com o Orçamento Participativo, a grande bandeira do partido naqueles anos, e tem sido da mesma forma com a multiplicação de conselhos, iniciando-se pelo setor da saúde e seus coletivos municipais. Posteriormente, o ideal participativo irradiou-se para as demais áreas, unindo uma narrativa que é irresistível, pois abriria o Estado à voz dos cidadãos, porém combinada a uma camuflada ação partidária capaz de capturar, cada vez mais, currais eleitorais e, ao fim, mais votos. Em poucas palavras: um discurso em si mesmo democrático, mas distorcido pela desonestidade petista, escondendo seu principal objetivo, que é a manipulação dos participantes, vistos apenas como portadores de votos necessários à conquista dos governos.

 

A presidente reeleita conhece bem esse mecanismo: seu antigo abrigo, o PDT, era o principal partido em Porto Alegre, mas foi varrido do mapa pelo Orçamento Participativo, o qual cooptou as lideranças dos bairros, recrutando-as para o guarda-chuva petista. Conselhos e conferências nacionais, somados à oferta de todos os tipos de bolsas: nada disso tem alguma coisa que ver com a venezuelização e menos ainda com a democratização do Brasil. Relaciona-se, exclusivamente, à conquista do Estado por meio de um processo de clientelismo partidário sem precedentes em nossa História.

 

A segunda constante da equação se chama corrupção. Nenhum partido sobrevive sem dinheiro, é preciso financiar seu funcionamento, com custos cada vez mais altos. Aqui serei breve, pois os fatos atuais, divulgados em escala crescente, emudecem a cidadania, perplexa com a ousadia de um partido que antes pregava a correção ética, à exaustão. O assalto à Petrobrás torna tal escândalo o maior já registrado e, simultaneamente, marca o PT como o partido mais corrupto da História brasileira. Os petistas serão capazes de lidar serenamente com os fatos iluminados pelo avanço das investigações?

 

Como responder à colossal transferência de recursos públicos para garantir o sucesso de um partido?

 

E lembremos, pois é gigantesca a crueldade política: o escândalo incide sobre uma sociedade desigual como a nossa, na qual prevalece uma estrutura regressiva de tributos, prejudicando os mais pobres. Como um partido autointitulado de esquerda se pode envolver nesse inominável crime?

 

E assim chegamos ao terceiro elemento que pretendo apontar nestas notas e que diz respeito à incógnita da equação. Ou pelo menos assim aparece, pois ainda não foi decifrada. Trata-se da pergunta: qual o objetivo finalístico de tudo isto? Há no horizonte de longo prazo um projeto para o Brasil ou um plano para reconfigurar a Nação que igualmente descreva a estratégia do jogo?

 

A resposta a essas indagações realça a maior de todas as vilanias, pois esses objetivos são inexistentes. Deixo o desafio: que alguém aponte algum documento de alguma significação mais substantiva, com a assinatura do Partido dos Trabalhadores, no qual esteja delineado um cenário de transformações para o Brasil. Como insistido no artigo anterior, o partido deixou de pensar desde os anos 90 e, em tempos recentes, tem sido incapaz de sequer refletir sobre o País, apontando os desafios e as mudanças que nos fariam uma Nação próspera e justa. Conformou-se com as delícias do poder, do consumo e do dinheiro produzidos pela ascensão social de seus operadores.

 

Esse é o coração da tragédia petista e nos deixa, os cidadãos, prostrados e à espera. Seria o anúncio da mudança que os atuais detentores do poder nem ao menos sabem enunciar, mesmo que retoricamente.

 

Sociólogo, é professor aposentado da UFRGS

 

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FALTA ALGUÉM EM TATUAPÉ

Senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) preside reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE)

Quinta-feira, véspera de feriado, parece que desta vez vai. Ou vão. Os quadrilheiros do mensalão. Quer dizer, de algum lugar da minha alma atarantada escuto um sussurro: Será?

Será que a nossa justiça, sempre tolerante com os poderosos, não vai abrir outra vereda para que os condenados possam escapar da cadeia? Não, não se trata de paranoia neurótica nem delírio esquizoide. Basta ler no jornal: Fernando Collor de Mello está prestes a se livrar da última ação do STF. Acusado de peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva, o ex-presidente e atual senador, está na bica de se livrar da ação penal que responde no Supremo Tribunal Federal por crimes cometidos quando era o presidente da República. Qualquer semelhança com pessoa viva (muito “viva”) não é mera coincidência. O processo está parado, dormindo sono profundo, na gaveta da ministra Carmen Lúcia desde outubro de 2009. O crime de falsidade ideológica já prescreveu, e o resto pode ter a mesmo destino, se a pena (se houver pena) for definida como a mínima do Código Penal. Cabe à ministra Carmen Lúcia levar o caso a julgamento. O processo Collor de Mello tramita desde 1992, portanto, lá se vão 21 anos! A denúncia só foi oferecida em 2000 na Justiça Federal, onde Fernando Collor de Mello é acusado de ter se beneficiado de um esquema de corrupção utilizado, inclusive, para pagar suas despesas pessoais.

Descoberto o esquema, Collor de Mello renunciou para não enfrentar um processo de impeachment. A sociedade organizada ocupou as ruas, sem quebrar nada.  Os estudantes, conhecidos como “caras pintadas”, tiveram um papel decisivo nos protestos. Entre as lideranças estudantis, Lindberg Farias, hoje aliado e comparsa de Fernando Collor de Mello.

Nada como um pouco de História.

E tenho dito.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

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BRANCO SAFADO

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Recomeça hoje o julgamento do mensalão. Mas já  não era para ter acabado? Não, não no Brasil, onde só os 3 Pês vão para cadeia: pobre, preto e puta. Não necessariamente nesta ordem. No próximo capítulo da novela vamos saber se o presidente do STF, juiz Joaquim Barbosa, deve ou não pedir desculpas ao seu colega de toga, Ricardo Lewandowski. Joaquim acusou Ricardo de estar fazendo chicana. Prática muito comum (mas nada recomendável) em nossos tribunais.

Acho que não deve, e mais, Joaquim podia muito bem ainda tê-lo apodado de “branco safado” e “caucasiano ladrão”. Não o fez com medo de ser enquadrado na Lei Afonso Arinos. A reação do juiz Joaquim representa a ampla maioria da sociedade brasileira. Desde o início do julgamento, Lewandoswski abriu mão do seu papel de juiz para vestir a carapuça de “adevogado” dos réus do crime de lesa democracia. Ele e seu acólito, o jovem Dias Toffoli, que só entrou para o Excelso Sodalício por conta de seu notório “não saber” jurídico. Por duas vezes foi reprovado no exame para magistratura.

Ao nomear um negro para a mais alta corte do país, o ex-atual-presidente-em-exercício acreditava que estava fazendo mais uma de suas jogadas de alta demagogia. Ele não contava com o pau de aroeira que agora canta no lombo de quem mandou bater. Errou duas vezes, primeiro na demagogia e, em segundo lugar, achando que  Joaquim, por ser negro, de origem humilde, iria se acoelhar, como tantos negros brasileiros fizeram ao longo da história com medo do chicote do feitor. E por falar no Lula, vai faltar alguém em Tatuapé.

No tribunal o que está em julgamento não é o destino de José Dirceu e seu bando. O que o resultado final desta questão vai definir é em que tipo de sociedade, com que valores, vão viver nossos filhos e  netos. E mais, vai determinar como nossa geração será avaliada pela História. Seremos os contemporâneos co-responsáveis de um Brasil em que tudo se podia ?

Joaquim não perdeu a compostura; quem nunca a teve foi o meritíssimo magistrado Lewandowski que prefere servir a outros senhores a servir sua própria consciência.

Tenho dito.

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