SOBRE ÔNIBUS E HAMBURGUER

Sete horas da noite em ponto. Portanto completamos sete horas e 50 minutos de viagem, estamos chegando nos arredores de São Paulo. Começo a sentir que a viagem vai ser longa imaginando que até sexta-feira estarei aqui no mesmo lugar e, paradoxalmente, me deslocando por quase 6 mil quilômetros até Lima no Peru.

O que não ainda não contei para vocês é que não vou ficar para assistir ao jogo. Estarei partindo do aeroporto de Lima no sábado às 17:30 para Santiago do Chile. O jogo é as 14h, pode isso Arnaldo? Na capital chilena aguardo 4 horas para embarcar de madrugada rumo ao Rio de Janeiro. Vida dura, mas divertida.

Vou dizer uma coisa para vocês: o Brasil está horrível, vivemos em crise fazem mais de 5 anos. O país engatou uma marcha à ré e saiu destrambelhado, ninguém sabe onde vamos parar. Mas tem duas coisas que melhoraram no Brasil, definitivamente. O ônibus e o hambúrguer.

Para quem nos anos 70 cansou de cruzar a BR-116, Rio- Curitiba- Rio nos ônibus da Penha ou viajava para o Nordeste, nas férias, pela Itapemirim, estes ônibus de hoje são mamão com açúcar. Apesar das estradas brasileiras estejam horríveis, com exceção da Dutra e das rodovias paulistas (São Paulo não é Brasil, é outro país), está tudo caindo aos pedaços , mas os ônibus made in Brasil batem um bolão.

Descobri que os gaúchos, além de dar a bunda, também são ótimos construtores de ônibus. São todos feitos em Caxias do Sul e Erechim e não sacodem mesmo com toda a buraqueira.  São espaçosos, confortáveis, silenciosos e tem filmes e wi-fi.  Hoje de manhã, antes de embarcar, vim de São Paulo, na ponte aérea, parecia que estava num galinheiro lotado. Sem falar que os aviões brasileiros têm mais anúncio que estádio de futebol. E tem aquele perrengue de passar no raio X, mostrar documento, esperar a mala na esteira. E a comida nos aeroportos? Além de caríssima é horrível. Avião só serve para quem tem pressa.

Cansado de ser explorado por tarifas escorchantes das empresas aéreas,  sempre que posso pego um busão para São Paulo. Vou trabalhando, dormindo , pensando na vida… Depois de 6 horas e meia cravadas de viagem , desço com  mochila , pego o metrô e em 20 minutos estou no centro da cidade trabalhando.

Pensar na vida! Taí!  Cada vez temos menos oportunidades de ficar parado, quieto,  pensando na vida. Este exercício fundamental da existência, que é o de colocar as coisas em seus devido lugar. Refletir e encontrar a verdadeira dimensão de nossos problemas.  Por isso mesmo gosto destas viagens longas. Mas esta até Lima no Peru é um pouco demais. Se fosse espírita tenho tempo suficiente para pensar não só nesta vida como em várias outras encarnações.

Agora os hambúrgueres. Comia-se no Brasil um pastiche de hambúrguer. Um prensado de soja misturado com carne sei lá de que animal e outros compostos não identificados. Aliás um prensado não , dois , alface , queijo , molho especial , cebola , picles num pão com gergelim. Chamavam isso de  hambúrguer.  Vamos por partes. Esse composto glutogênico não é queijo, é um produto da indústria petroquímica.  A alface, a cebola e o picles  estão ali só para constar ,  batem ponto e vão embora ,  são os funcionários públicos do sanduiche. O molho só serve para empurrar aquela gororoba toda goela abaixo. E por último, quem disse que eu gosto de pão com gergelim ?

Felizmente tudo isso mudou, e para melhor. Alguém teve a ideia genial de fazer um hambúrguer caseiro, com carne de boi, de espessura correta, suculento e consistente. A rapaziada foi ainda mais longe e começou a inventar   misturas com carne de diferentes cortes e teores de gordura, são os “blends”. Para acompanhar queijo de verdade, alface e tomate na quantidade certa. Sou ortodoxo em termos de hambúrguer, prefiro sem queijo e molho só mostarda Hemmer e um bom Catchup que por isso mesmo não pode ser Heinz. Hamburguer jamais pode ser cortado ao meio e tem que ser comido com as mãos.

Alguns já perceberam que vou “enchendo linguiça” alugando a paciência de vocês.  O ônibus está escuro e não dá para gravar matéria e é muito cedo para dormir. Aos poucos vamos conhecendo os nossos companheiros de aventura. Aqui no nosso buzão , além dos flamenguistas,  tem os jornalistas , o Marcelo de O Globo , alguém da Época, o pessoal da Band Sport , da Sport TV e o Caco Barcellos que vem atrás num carro da Globo.  E claro, eu Marcelo Madureira , o Pacato Cidadão. É o Urubuser.

Amanhã já marquei umas entrevistas. Tem muita gente interessante. Vários literalmente fugiram do serviço, o patrão nem sabe que estão aqui. Tem o Danilo, preocupado com o pai que está no hospital, tem o simpático casal, Francisco e Vânia,  que pagaram dez reais na  passagem, hospedagem e ingresso,  promoção da Buser. Tem o Lúcio que viu o Flamengo ser campeão da Libertadores em 81, em Santiago. Enfim um monte de gente interessante que irei apresentando a vocês ao longo da viagem.

Amanhã terça-feira vou tentar fazer uma participação na Resenha Tabajara e na live do Paparazzo Rubro Negro. Vão me acompanhando no YT, no FB , no Insta e no Twitter. Preciso de vocês!

Vida que segue.

 

Marcelo Madureira