PCC vai indicar o próximo tesoureiro do PT

Após a prisão de João Vaccari Neto, o segundo na linha sucessória dos tesoureiros petistas encarcerados, a grande pergunta é: quem vai assumir a vaga? Para o colunista de VEJA Marcelo Madureira, dois nomes podem entrar na disputa ao tão poderoso cargo. Tratam-se de Marcola e Fernandinho Beira-Mar, personagens indicados para ocupar a posição do rato de dez vidas: João Vaccari Neto. Clique na imagem para assistir

Veja Marcelo

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E NÓS? PRA ONDE VAMOS?

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O Brasil está derretendo. E não é só por causa do calor insuportável nem, muito menos, devido à falta de água, à falta de energia, à inflação em alta, ao aumento de tarifas e à baixa produtividade da nossa economia. O Brasil começou a derreter em Brasília. A acachapante derrota do governo na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, a demissão da “presidenta” da Petrobras (sem que o governo tenha a menor ideia de quem colocar no lugar) e a indicação do deputado José Guimarães como líder do governo na Câmara dos Deputados. José Guimarães é irmão de José Genoíno, o ex-presidente do PT, atual apenado do mensalão. Em plena crise do mensalão, um assessor de José Guimarães foi preso num aeroporto com milhares de dólares escondidos na cueca. Não precisa dizer mais nada.

Tudo isso aconteceu de domingo para cá, ou seja, quarta-feira de manhã, quando escrevo este post. O governo Dilma Rousseff anda atarantado, igualzinho aos raciocínios tortuosos e sem sentido da nossa “presidenta”.

Dilma já mostrou e comprovou que não tem a menor competência para dirigir um país. Qualquer país. Muito menos um país em enorme crise econômica e política como o Brasil. Como dizia o humorista Aparício Torelly, o Barão de Itararé, “De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”. Aos brasileiros só resta rezar. Mas eu? Como é que eu fico, se sou ateu? Nenhuma saída fora da Constituição pode ser admitida, muito menos proposta. Dilma Rousseff não tem o menor senso de autocrítica para entregar o mandato. E se este fosse o caso, o vice-presidente Michel Temer – o mordomo de filme de terror – não tem o menor carisma nem liderança política para unir a sociedade em torno de um projeto para tirar o país do buraco. Aliás, que projeto? Atenção, oposição! Está mais do que na hora de se propor um caminho para o Brasil sair do atoleiro em que se encontra. Por que será que o Aécio deixou crescer a barba? Será que a intenção é colocar as mesmas de molho?

E tenho dito.

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A CASA COMEÇOU A CAIR…

implosão

Justamente no feriado da Proclamação da República, 15 de novembro, as manchetes dos jornais estampam prisões em massa de executivos de megaempreiteiras e, como cereja do bolo, Renato Duque, mais um diretor da Petrobras. Aliás, pelo que se verifica, a Petrobras não tinha uma diretoria, mas uma quadrilha na gestão da empresa.

De fato, sempre houve e sempre haverá corrupção entre os homens que não são de boa vontade. Existe corrupção na Finlândia, no Japão, na Islândia, até mesmo na corretíssima Dinamarca, o reino onde, segundo Shakespeare, “existe algo de podre…”. Só tem uma diferença: se você vai corromper ou se vai se deixar ser corrompido, seja competente na sua má ação. Pois nestes países, e em muitos outros, existem Leis, e se você for pego é cadeia dura, não tem choro nem vela. Nos Estados Unidos qualquer um é algemado, não tem essa de “você sabe com quem está falando?”. Isso para não falarmos da tão esquecida “vergonha na cara”, coisa que os antigos cultivavam e todos os alunos aprendiam a ter na escola da D.Teteca. No Japão, país onde se cultivam valores como honradez e “vergonha na cara”, por muito menos o malfeitor comete harahiri, ou sepuku, o rito tradicional de suicídio.

Aqui no Brasil, onde vivemos numa espécie de faroeste sem lei (ou vivíamos, quem sabe?), o meliante desfila faceiro pelas colunas sociais e depois vai curar a depressão no Castelo de Caras.

Na ditadura militar havia corrupção, mas jamais saberemos a sua magnitude, pois havia censura nos meios de comunicação, ao contrário do governo FHC, em que também havia corrupção, mas existia liberdade de imprensa. No entanto, uma coisa temos que admitir: nestes anos de lulopetismo, a corrupção foi levada a uma dimensão “nunca vista na história deste país”. E com um propósito absolutamente antidemocrático, que é o de se perpetuar no poder.

Conversando com um querido e ilustrado amigo, ficamos tentando imaginar como funciona(m) a(s) mente(s) que concebeu (ou conceberam) tamanho e perverso esquema que, literalmente, saqueou a sociedade brasileira no caso do Petrolão. Aposto um fim de semana em Cuba, com tudo pago, que o Zé Dirceu está por trás desta mazorca. O Zé é um sujeito muito cerebral e maquiavélico. Isso não quer dizer que o Lula e a Dilma não soubessem de nada. Não só sabiam como aprovaram e autorizaram as operações. Mas o Zé Dirceu transferiu tecnologia, muito provavelmente da PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana, nos tempos em que prestava consultoria ao falecido Hugo Chávez.

Ainda não chegamos ao fundo do poço, pois, segundo um ditado da minha terra, que tento escrever em termos menos chulos, “a fundura do reto é o tamanho do pênis”. Vejam bem que ainda nem se mexeu no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, no BNDES, nas Fundações…

Confesso que não esperava que o desenrolar dos acontecimentos se precipitasse antes de 2015. O Brasil deu um salto decisivo num processo cujo desfecho não se tem a menor ideia de onde vai acabar. Só se pode garantir que vai depender de nós, cidadãos, para o bem ou para o mal. Para nós, democratas, nenhuma solução fora da Constituição e da Lei é aceitável, e o lulopetismo e seus asseclas, que meteram o país nesta enrascada, vão ter que pagar pelos seus atos de lesa-pátria. Isso vão, claro que vão.

O nome do corajoso juiz paranaense, Sérgio Moro, vai entrar para a nossa história ao lado de José Bonifácio, Joaquim Nabuco, D. Pedro II, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigues Alves, Oswaldo Aranha e Ulysses Guimarães, verdadeiros estadistas brasileiros e defensores intransigentes dos valores que dão sustentação à Democracia e à Liberdade.

A partir de agora vamos viver uma agonia, dia a dia, semana a semana, mês a mês, de um governo natimorto se desmanchando. Qual será o desenlace? O país volta os seus olhos para o Poder Judiciário, o comportamento dos nossos tribunais vai decidir o futuro desta Nação.

E tenho dito.

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E agora? O que vai acontecer?

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E agora? O que vai acontecer? Nada. E tudo.

Vamos ver se consigo explicar. Passadas as eleições, o governo reeleito confronta-se com a realidade que o seu discurso negava durante toda a campanha. Na Economia, a “Tempestade Perfeita” está formada, já se pode ver e escutar seus raios e trovões no horizonte. A inflação (a popular “carestia”), já vigorosa, vai ficar ainda mais “vitaminada” pelos reajustes nos preços dos combustíveis e nas tarifas de energia elétrica. As contas públicas, até então maquiadas, mostram a sua verdadeira e horrorosa face. O déficit primário, ou seja, gastos públicos muito superiores à arrecadação, é um fato que, passadas as eleições, é admitido pelo governo.

A desconfiança, que já era grande, aumenta. A incerteza sobre o futuro pressiona o aumento das taxas de juros. Os empreendedores, cautelosos, adiam seus investimentos e cortam custos; com os cortes nos custos vem o desemprego. Com o aumento do número de desempregados, cai o consumo, cai o comércio, e por isso mesmo diminui a arrecadação de impostos e por consequência aumenta o déficit, uma vez que o governo não corta seus custos. É uma bola de neve no meio do verão infernal que se aproxima. É a famosa estagflação: inflação sem crescimento da Economia.

A presidente Dilma Rousseff aprendeu Economia com a Ana Maria Braga, mas também omitiu este pequeno detalhe quando adulterou o seu currículo Lattes. Aliás, o currículo Lattes tem fé pública, portanto a “presidenta” cometeu crime de falsidade ideológica. Mas o que é isso perto do Petrolão, considerado pelo TCU – Tribunal de Contas da União – o maior crime de corrupção da História do Brasil?

Pois é, já ia me esquecendo do Petrolão, cujas investigações, quando reveladas, terão consequências devastadoras (e purgativas, espero) na fauna política brasileira. Este é o quadro singelo do que nos espera e não adianta, agora, chamar os otimistas de plantão. Pedir para “chamar a mamãe” também é inútil, bem como pedir ajuda aos universitários, dada a má qualidade da Educação no Brasil.

O PT e a presidente também devem entender que já não têm a mesma base de apoio popular. Sigam-me o meu raciocínio: dos cerca de 142 milhões de eleitores , 36 milhões não votaram ou votaram branco ou nulo no segundo turno. Somando-se a 51 milhões de votos obtidos por Aécio Neves, verificamos que apenas 38% do eleitorado apoia o governo. Enquanto isso, no Congresso, a base de sustentação parlamentar vai se desmanchando. Quem diria que a candidatura do trêfego deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados seria uma boa alternativa para o Brasil? A que ponto chegamos…

A situação dentro do PT também não é das melhores. Além da permanente luta interna, já começam as defecções. A senadora Marta Suplicy saiu do Ministério da Cultura atirando na presidente, e o ministro Gilberto Carvalho também prepara a sua munição.

E o que vai acontecendo no Brasil quando “já é Natal na Leader Magazine!”? Nada. Rigorosamente nada, Afinal, quem quer participar de um governo que já nasce manco? E para o Ministério da Fazenda, quem vai? Se ainda fosse vivo, poderia ser o querido palhaço Carequinha. É ou não éééééééé, criançaaaaadaaaaa?????!!!!!!! Afinal, todos sabemos, o governo não vai mudar a política econômica. Não vai mudar porque não quer e também não vai mudar porque não pode. Não vai mudar por burrice, teimosia, incompetência e falta de quadros.

Por isso mesmo o governo e o lulopetismo vão levar o foco da questão para o campo político, onde, atrás da moita do populismo e da demagogia, movimentam-se com mais desenvoltura. A crise na Economia certamente vai aumentar as tensões sociais, os conflitos, as greves, o desconforto e a insatisfação geral da população. É aí que entra o populismo e a demagogia, apontando os bodes expiatórios da vez: os banqueiros, os industriais, os empreendedores em geral, a imprensa, a mídia, sempre ela! Também servem os donos de supermercado, os pecuaristas, o agronegócio, o capitalismo internacional, os ricos, os brancos de olhos azuis, os sulistas egoístas e até, por que não?, os judeus. Afinal, eles sempre estão por trás de tudo, não é verdade?

O governo vai jogar pelo confronto, sem medir as suas consequências, dando um cavalo de pau bolivariano na política nacional. Aliás, “o serviço” já começou quando a presidente enviou ao Congresso um projeto de lei modificando a LDO – Lei das Diretrizes Orçamentárias –, abandonando a meta fiscal estabelecida no início do ano. Se aprovada pelo Congresso, esta emenda desmoraliza a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma das maiores conquistas do processo de redemocratização do país. Mas podia ser pior, eles poderiam ter mandado a mesma emenda através de medida provisória. Ainda não tiveram a audácia e, por isso mesmo, devemos permanecer vigilantes.

E tenho dito.

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ERA SÓ O QUE FALTAVA!

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Nem começaram ainda os próximos quatro anos de mandato e a presidente Dilma estende as mãos suplicando a “unidade dos  brasileiros”. Unidade em torno de quê, cara-pálida? Sem essa! A senhora, o seu partido e seus comparsas passaram a campanha mentindo e difamando e agora pregam a reconciliação? Comigo não, violão! Somos oposição e cada vez seremos mais e mais fortes, unidos em torno de propostas, pontos de vistas e valores éticos que, com certeza, não têm nada a ver com o lulopetismo. Vão pedir ajuda ao Maduro, aos irmãos Castro, a Cristina Kirchner e sua turma.

De mãos estendidas, Dilma procura que procura um ministro da Fazenda. Vais ficar procurando. Só um maluco, um débil mental, um subserviente, um irresponsável ou um delinquente (quando não alguém que reúna todos esses predicados juntos) aceitaria ser ministro da Fazenda, ou qualquer outro cargo, num governo que ainda nem desatracou do porto e já é uma nau sem rumo, à deriva. A resolução política do PT (leiam aqui) já mostra os reais propósitos do partido, que acha que vai intimidar os brasileiros democratas e de bons propósitos. Eles, que dividiram o país nas eleições, que experimentem. Vão receber uma resposta massiva da sociedade brasileira, que não aceita o lulofacismo autoritário e intimidador.

E a Petrobras? A que ponto chegou a grande empresa brasileira, outrora respeitada internacionalmente! A empresa de auditoria externa se recusa a assinar o balanço, o diretor da Transpetro é afastado, para não dizer sumariamente demitido, por suborno. A SEC, que é a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) americana, é rigorosa na proteção aos acionistas minoritários. A Petrobras, que tem ações negociadas na Bolsa de Nova Iorque, fica, portanto, sujeita às investigações da SEC e suas consequências, inclusive Dilma Rousseff, que presidiu o Conselho de Administração nos anos mais negros e mais sujos da companhia. Aliás, a mesma Dilma, que avisou que “não deixaria pedra sobre pedra” nos casos de corrupção na estatal, até agora não falou necas de pitibiribas sobre o assunto.

Portanto, este é o nosso ponto de partida. Vamos jogar o jogo rigorosamente dentro das regras da democracia estabelecidas na nossa Constituição e no Código Penal, código este, por sinal, em que os petistas e seus sequazes estão acostumados a percorrer de cabo a rabo.  Nada de retrocessos, saudosismos de golpes, casernas militares e outras ideias de jerico. Toda a minha solidariedade a Xico Graziano, que se posicionou de maneira firme contra estas propostas e foi alvo de extremistas inconsequentes que não acreditam na Democracia e na Liberdade.

E tenho dito.

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AMOR SÓ DE MÃE

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É muito amor. É impressionante como o PT ama a Petrobras. O petróleo é nosso, dizem eles. E têm toda a razão. É tanto amor que conseguiram quebrar a Petrobras.  Aí, vem a presidente Dilma, dizendo que a oposição e a imprensa querem acabar com a Petrobras. Nem que quisessem. Os governos do Sr. Lula e da Sra. Dilma já se encarregaram da tarefa. E com muita competência, diga-se de passagem. Aliás, vindo deste governo, o que não é feito de má-fé, é resultado de má gestão. Isso quando não temos os dois juntos, que é o que normalmente acontece. A presidente da Petrobras reconhece que a compra da refinaria de Pasadena não foi um bom negócio. Não foi para quem, cara-pálida? Alguém ganhou com isso. Alguém também ganhou quando levou um doleiro, esse mesmo, Alberto  Youssef, que está preso,  numa comitiva oficial em viagem à Cuba. Por quê, para quê e para quem?

Por enquanto estão aparecendo as roubalheiras na Petrobras, espere só para ver quando chegar a conta da Eletrobrás, das obras da Copa, quando os enormes esqueletos começarem a sair do armário, maquiados que estão pela Contabilidade Mandrake do governo. Este mesmo governo que quebrou o país e pretende continuar quebrando, pois vai fazer de tudo e mais um pouco para não perder as eleições. Coisa de deixar o próprio Diabo rubro de vergonha. E inveja.

Mas o Brasil já foi maior que isso. O Brasil soube derrotar uma ditadura militar, protestando nas ruas de forma organizada e pacífica. Da mesma forma, o Brasil também  mandou embora um presidente da República corrupto e arrogante. Não foi à toa que o PT, assim que se viu no poder, tratou de cooptar e calar o maior número possível de órgãos de representação da sociedade civil.

Hoje as pessoas  perguntam na rua: cadê a Oposição? Ora, nós somos a Oposição.

Não importa se estamos (ou não) organizados em partidos, sindicatos ou clubes de futebol. Se estamos contra é porque somos a Oposição. E ser de Oposição é um trabalho de formiguinha: reclamando, denunciando, cobrando, explicando e convencendo o vizinho, a empregada, o colega de trabalho, o filho, a irmã e a mãe e quem mais participar de nosso cotidiano. Só assim nós, a Oposição, poderemos vencer as eleições. E vamos vencer.

E tenho dito.

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A OPOSIÇÃO QUE TEMOS É A OPOSIÇÃO QUE MERECEMOS

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Estou espantado com a quantidade de acessos no meu modesto blogue. Verifico, roído pela inveja (inveja branca) que, muito mais do que  meus escritos, o que está “bombando” é  o post em que reproduzo um artigo do Gabeira, publicado no Estadão, pasmem!, há quase um mês!

Nem todos têm tempo para fazer uma leitura atenta  e diária dos jornais, revistas e blogues, coisa que faço, por dever de ofício, desde os tempos do Casseta & Planeta, Urgente!

O texto do Gabeira despertou acalorado debate. Muitas pessoas reclamam do ex-deputado, e sempre jornalista, que  acerta no diagnóstico mas não propõe conduta terapêutica. Mais do que isso, afirmam que não temos uma oposição consequente e combativa, que nos represente para  “mudar  tudo isso que está aí” – parafraseando o discurso do  PT antes de chegar ao poder.

Pois bem, isso é  mais uma herança lusitana que carregamos em nossos cromossomos. Estamos sempre à espera de um D. Sebastião, de um messias, um líder sábio e justo, acima do bem e do mal, que venha com todas as respostas prontas e nos indique o caminho seguro para nossa redenção. Já vi esse filme. Ora, isso não existe, e a História não cansa de demonstrar. O que constrói a mudança é o processo e a luta política.

Nós somos a oposição. Quarenta e quatro milhões de brasileiros declararam isso ao votar contra o PT nas últimas eleições para presidente. E isso não é pouco. Estamos, sim, é desarticulados, desorganizados e complacentes.

Política todos nós fazemos, desde quando acordamos até a hora que vamos dormir. Inclusive a pior delas, que é a política de não fazer política. Se faz política  no trabalho, na escola, no ônibus, na sala de espera do médico,  argumentando com um funcionário público, cortando o cabelo, na arquibancada do futebol, na reunião da escola do filho e, até mesmo, fazendo pipi no aeroporto imundo. Viver é um ato político.

Esse exercício cotidiano de perguntas, debates e, se possível, respostas, vai formando um caldo denso que, pelo menos deveria, desemboca em partidos representativos e, por consequência, no Congresso, onde a política se materializa.  Precisamos consertar isso.

Afinal quem, sendo uma pessoa de bem, ressalvando-se as exceções de praxe, se candidata a ir para Brasília? Quem deseja para um amigo querido ser “condenado” a passar 4 anos num ofidiário, como a assembleia legislativa do Rio de Janeiro?  Claro, sobra para os aventureiros, para não dizer  bandoleiros, de ocasião.

Na verdade renegamos a vida comunitária. Quem é o “babaca” que vai ser o próximo síndico do prédio?

A Política se faz onde se está, até na Papuda. Aliás, um dos lugares onde se mais faz política no Brasil de hoje. Me recordo  quando o Casseta & Planeta  estava no ar, no auge de sua liberdade de conteúdo, ou quando publicávamos o Agamenon em jornal (não se esqueçam que continuamos no blogue), o  que mais proporcionava  satisfação era a contribuição que o humorístico dava para o debate político. É curioso constatar que quase não se faz mais humor político no Brasil,  principalmente na TV. É claro, canais de televisão são concessões públicas, sujeitas aos (maus) humores do governo. Deste que esta aí, para ser bem claro. Não nos esqueçamos também que o governo é um grande anunciante.

Fernando Gabeira talvez contribua muito mais para política com o seu trabalho nos jornais, rádio e TV do que  frequentando palácios ou o Congresso Nacional. E não custa lembrar a sua trajetória pessoal, uma lição exemplar do que é ser um  “animal político”, no melhor sentido do termo, e de como este animal  pode evoluir.

Temos pela frente grandes desafios, a começar por ampliar a nossa “tchurma”. Escrevemos, debatemos e conversamos entre nós mesmos e, por isso, com nós mesmos, concordamos. É imperativo ampliar o nosso discurso para as pessoas mais simples. Ser claros, concisos, assertivos e, mais importante, buscar formas agradáveis de dizer isso. Chega de ser pomposo, acadêmico, pedante e hermético. Deixemos isso para os sapientíssimos tribunos do excelso sodalício, o Supremo Tribunal Federal.

E tenho dito.

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