QUE DOIDEIRA É ESSA MARCELO MADUREIRA?

De partida para Lima, Peru, 5 dias de ônibus.

São cinco dias direto. Vocês devem estar se perguntando o que é que estou fazendo aqui. Eu também. Talvez consiga descobrir até a sexta-feira, previsão para a nossa chegada na capital peruana.

Vou na companhia de algumas dezenas de torcedores fanáticos do Flamengo. Fanáticos e duros, pois é preciso muito amor ao rubro-negro para se dispor a esta façanha: cinco dias de viagem de ônibus, chegando na véspera do jogo, assistir a partida, comemorar (se for o caso) e pegar de novo o busão para mais 5 dias de volta.

Vou, porque quero que ir. Como dizia Sir Mallory, o primeiro a escalar o Everest que dizia “Escalamos a montanha porque ela está lá”. Se não tivesse aceitado a incumbência de cobrir esta odisseia, assistiria ao jogo de casa, pela televisão. Acontece que não troco nada por uma boa história.

Estive em Cuba, na Islândia (no inverno!), no Iran, no Afeganistão, na Coréia do Norte… enfim em um monte de lugares extravagantes sempre em busca de boas histórias. E as boas histórias estão nas pessoas, nos personagens que encontramos ao longo da jornada e que nos vão revelando o mundo em que vivemos, suas contradições, suas misérias e maluquices. Procuro colocar sempre uma dose de bom humor, que é para divertir o povo. Quem assiste e quem participa.

Essa é a minha ideia no Pacato Cidadão quadro que concebi e apresentei em 2010 no Fantástico com a preciosa colaboração do Renato Nogueira, editor, do meu câmera, Roberto Thomé, e da nossa incansável produtora Maria Eugenia Brito. Bons tempos.

Hoje, 18 de novembro de 2019, retomo este projeto agora também como produtor através da FLOCKS.TV. Vamos em busca da Taça Libertadores da América, na grande  final River Plate X Flamengo.

Viajo a convite da BUSER e em colaboração com o Paparazzo Rubro Negro, outro grande canal da internet produzido pela FLOCKS.TV.  

Acabamos partindo com uma hora e dez minutos de atraso mas, afinal, que isso significa em cinco dias de trajeto?  A impressão é que tem mais repórter fazendo a cobertura do que torcedor propriamente dito. Até o Caco Barcellos, da Globo vai cobrindo a aventura. O ônibus é muito bom, um alívio para quem vai enfrentar 5 mil e 800 quilômetros de estrada. A poltrona vira uma cama, tem monitor de TV, entrada USB, ar condicionado, banheiro limpíssimo (pelo menos na saída), água gelada, cobertor, travesseiro e três motoristas

Jorge, o segurança, Bianca representante da Buser fazem uma preleção. Não pode bebida à bordo muito menos drogas. Era só o que faltava. Um dos motoristas, o gremista Adriano dá uma panorâmica do trajeto. O que devemos fazer nas aduanas, serão três: Argentina, Chile e Peru. As passagens de fronteira, as vezes demoradas, é que podem atrasar a viagem. O ponto crítico parece a travessia do deserto de Atacama ao norte do Chile. A água é realmente muito escassa e praticamente não tem onde parar.  São muito importantes as recomendações de higiene a bordo. Principalmente quanto ao uso dos banheiros. Deve-se evitar ao máximo fazer o “número 2” no ônibus. Me parece razoável.

Estamos da Dutra, na altura de Resende, acabamos de passar a Academia Militar das Agulhas Negras, alma mater do presidente Bolsonauro. Chove lá fora.  Na nossa nave o clima é de tranquilidade. Os passageiros estão em silêncio. Alguns leem livros, quem diz que flamenguista não lê?

Daqui a pouco a gente volta.

Marcelo Madureira