DE BADERNEIROS, PROFESSORES E ARTISTAS

Já está ficando chato. Abre-se o jornal pela manhã e o que se vê? Quebra quebra, violência e anarquia nas manifestações dos professores do Rio de Janeiro. Custo a crer que educadores aprovem e promovam este tipo de protesto. Mas vamos aos fatos. Por que a imprensa, em vez de enfatizar a baderna, não explica direitinho para o cidadão quais são as reivindicações dos professores e a proposta do governo? Onde estão as diferenças? O que pode ser negociado? A Opinião Pública esclarecida e bem informada pode muito bem arbitrar estas questões e pressionar para se chegar a um consenso.

Na questão dos professores do Rio de Janeiro, existe um ponto que discordo dos mestres protestantes. É aquela que se refere a avaliação de desempenho dos profissionais do ensino. Parece que os professores não aceitam ser avaliados. Ora, em qualquer profissão do mundo o indivíduo é cobrado e avaliado por seu desempenho. Se o profissional for bom, deve ser promovido e premiado, se não for, deve ser submetido a um treinamento e, caso o treinamento não funcione, pode ser demitido. É assim que funciona até no armarinho da esquina. Isso se chama meritocracia.

Mas aí vem esses “bleque bloques”, “índia mija” e sei lá mais o que,  quebrando tudo e afastando a sociedade da real discussão da matéria. Ao fim e ao cabo nada se resolve, a greve continua e as nossas crianças cada dia mais ignorantes. Quem sabe assim possam, um dia, tornar-se presidentes da república?

A alguém interessa a ação nefasta desta bandidagem de passeata, mas com certeza não interessa ao mundo civilizado. O pior de tudo é que vemos intelectuais de segundo caderno e mesmo artistas importantes, como Caetano Veloso, apoiando e justificando este tipo de ação. Inacreditável.

O nosso problema, artistas populares brasileiros, é que somos ignorantes, e o que é pior: não temos consciência da imensidão de nossa ignorância. Somos arrogantes e nos dedicamos a opinar sobre tudo que é assunto na presunção de que vamos “fazer a cabeça” das pessoas. Bobagem.

Quem sou eu para questionar a obra de um Caetano, de Gilberto Gil, de Roberto Carlos? Mas as opiniões, vamos devagar. Agora me aparece mais um movimento corporativista no Brasil, o Procure Saber. A atual bandeira da agremiação é a proibição, por lei, de obras biográficas sem a autorização do biografado. Chega a ser patético se não fosse trágico e obscurantista. Não seria o caso de proibirmos também  a criação de canções, poesias e mesmo a existência de artistas que não considerássemos, digamos assim, “adequados”?

Se uma biografia é mal feita, mentirosa até mesmo ultrajante, quem mais perde é o próprio autor da obra, que tem na credibilidade o seu mais valioso patrimônio. A mentira tem perna curta.

E por falar em perna curta, Roberto Carlos não me espanta. Com exceção da linda “Debaixo dos Caracóis…”, que compôs para o exílio do Caetano, jamais se comprometeu com nada. Na minha opinião, o “Rei” manca do caráter. Não é de espantar “devido de que” a sua perna de pau, Roberto manca mesmo. Ora, o Brasil inteiro sabe que Roberto, vítima de triste acidente, não tem uma perna. E isso não fez dele menor do que ninguém. Muito pelo contrário,  talvez seja o maior artista popular que o país já conheceu. Mas por causa desta questão da perna mecânica e outras particularidades menores, mandou queimar milhares de livros de sua biografia tal e qual um Goebbels da Jovem Guarda.

Se Roberto Carlos assumisse, de uma vez por todas, este seu segredo de polichinelo, serviria como um exemplo inspirador de como podemos superar adversidades. Mas não, Roberto e o Brasil preferem viver esta ridícula hipocrisia.

Para mudar isso, proponho, desde já, que Roberto Carlos siga o exemplo do cientista  Stephen Hawking  nos jogos de Londres. Roberto, seja o Mestre de Cerimônias da Paraolimpíada do Rio de Janeiro em 2016.

E tenho dito.