Visita à casa paterna

Ontem fui ao cemitério. Fui visitar o túmulo do meu pai. Normalmente eu não iria, mas meu irmão mais velho pediu a minha companhia. Não me fiz de rogado. Nosso pai completou três anos na Eternidade e, desde então, não tem um só dia que eu não me recorde dele. Perder pai ou mãe é duro. E você nunca vai estar suficientemente preparado para isso. Você pode estar com 95 anos e sua mãe morre com 115 primaveras muito bem vividas que não adianta. Vai doer muito. E são nestas horas que é mais difícil ser ateu. Não existe Papai do Céu, morreu, acabou. Foi-se. É você sozinho nesse mundo inóspito  e queimaram-se os navios. Só nos resta a lembrança, coisa que não é pouca, a saudade, que sempre é muita e o legado moral. Meu pai nos deixou um sólido legado moral, artigo meio fora de moda, mas um bem intangível e de valor incalculável.  E o que é melhor: ninguém pode roubar de mim.

O dia estava esplêndido. Temperatura amena, céu azul, nenhuma nuvem no céu. Comecei a recordar da minha convivência com o pai. Não foi fácil. Brigamos muito, mas das brigas não lembro muito bem. O que eu lembro com bastante nitidez era de quando criança, depois do jantar, ficava no seu colo enquanto ele lia o jornal. Fazia frio em Curitiba. Lá  fora chovia e trovejava , mas para mim, ali, naquele instante, tudo era segurança, calma e paz.

Tenho dito.

ATENÇÃO TODOS !!

Hoje, na cidade do Rio de Janeiro,  às 18 horas , estarei na Livraria Cultura participando do Salão de Humor Judaico. Seja você  membro ou não do “Yishuv”,  considere-se mais do que convidado.