O SONHO QUE ME FEZ TER CERTEZA DE QUE ERA UM RETARDADO

Não costumo me lembrar de sonhos, quando lembro, enchem meu saco pra me mostrar seus significados. Pra falar a verdade, não dou a mínima. Eu sei que esse nível de ceticismo é meio chato às vezes, mas é algo meu que realmente teria solução se eu transasse mais e me masturbasse menos.

Mas, honestamente, um desses sonhos mexeu muito comigo e me fez procurar ajuda psicológica há uns 6 anos, fiz análise por 2. Ok, o fato da minha psicóloga ser extremamente gostosa também me fez prolongar essas visitas na clínica, mas isso não vem muito ao caso.

No sonho eu era um coelho. Não desses coelhos normais com pelos brancos e olhos vermelhos das musiquinhas chatas pra mais de metro infantis. Muito menos um valente coelho azul que voa de encontro à cabeças de garotinhos com poucos cabelos na cabeça e muitas ideias idiotas também nela. Eu era muito mais que isso. Eu era o líder de um dos quartéis generais da resistência.

Eu sei que você deve estar se perguntando ‘que resistência?’. Bom, talvez nem esteja. Mas vou contar mesmo assim.

O ano era 4020, a Era das Máquinas havia acabado…

Sim, houve uma Era das Máquinas. O cientista esloveno Janrique D’Camps, em um esforço hercúleo pra não permitir que a raça humana fosse realmente extinta, decidiu implantar consciência em animais, a fim de que eles os ajudasse contra os robôs. Tudo isso com uma tecnologia intersect em que, mostrando milhares de nudes pra animais em um tempo muito curto, eles passariam a pensar como humanos, inclusive num ódio mortal contra feminazis, esquerdistas e um primordial, que jamais seria esquecido: uma ex-presidenta de um país chinfrim de terceiro mundo que fora atolado em lama no ano de 2018, o Brasil.

Alguns animais conseguiram se adequar a isso e foi impressionante a sapiência deles em batalha, a força que eles tinham também era surreal, os robôs não tiveram chance. Ao fim as lutas, aos milhares os bichos foram se reproduzindo. Humanos e animais viviam em paz, até que os ditos “não evoluídos” passaram a se achar melhores que os humanos e se insurgir. Eles realmente eram melhores. O porcos Snowball e Napoleon iniciaram a revolução que, poucos anos mais tarde, vinha se tornar a desgraça da raça humana. Essa foi a Revolução dos Bichos.

A terra, então, era governada pelos porcos. E, por mais que isso possa parecer mentira, as leis eram incríveis. Os banhos de lama impostos pelo governo nem eram tão impostos assim, porque era algo sensacional. Não havia mais armas, era algo totalmente obsoleto. Não havia analfabetismo, os animais não precisavam de analgésicos ou qualquer tipo de medicamento, não era mais necessário aulas em faculdade, não havia lembrança de como foi a terrível e humana Segunda Guerra Mundial e, o melhor de tudo, não endeusavam mais músicas merdas como as do Pearl Jam ou o Chorão, do Charlie Brown Jr. Tudo era demais.

Mas como a paz e toda festa à fantasia onde as pessoas se assumem alcoólatras e colocam a culpa na bebida por ter comido muito feijão e defecado no local fazendo com que quem estava se divertindo praticando a velha arte do coito (em ménages com anões e tamanduás, inclusive) estivesse quase num ato de scat muito louco, isso não dura pra sempre. Num erro da única equipe de ciência global da nossa terra, explodimos um reator no centro da terra fazendo com que os humanos mortos na Revolução dos Bichos ressuscitassem querendo apenas nos comer como churrasquinho em lajes. A raça humana estava de volta e praticamente imortal.

Nossa única defesa contra eles eram baguetes, era a única forma de matá-los de vez. Acertar baguetes em suas cabeças fazia com que caíssem por terra. Mas eram muitos.

Restaram pouquíssimos de nós.

Os humanos são seres detestáveis. Eles postam algo que chamam de selfie a cada animal caçado. As tags ‪#‎hojeteve‬ e ‪#‎tododiaédiapracaçarumbichinho‬ infestam o anigram, nossa maior rede social de fotos.

Nossa luta continuava incessantemente, mas sabíamos que não tinha nenhum jeito de ganharmos. Nossas patas não eram boas pra fazer baguetes, os únicos que podiam nos ajudar nisso eram os macacos, mas a maioria deles havia passado pro lado dos humanos zumbis, gostavam estranhamente de ensiná-los a ficar balançando em cipós e ficar dando gritinhos chatos pra nos assustar.

Eu e mais dois amigos, Stremel (um chato que gostava de citar um filósofo que só falava em cavernas) e Jhonathan (um dos que recebiam bolsas do governo da nossa terra por ter mais de uma letra ‘h’ no nome), resolvemos entregar nossas bases. Não havia esperança pra gente e nem pros outros animais. Pra evitar esse sofrimento de ter de lutar por algo que não valia a pena, nos levaram.

Serraram minhas pernas e acordei. Acordei assustado e tremendo com esse sonho realmente tenso. Principalmente pelo fato deles estarem serrando minhas pernas. Até porque, na realidade, eu não as tenho.

É isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *