TV Pirata

 

TV Pirata é considerada a grande ruptura da escola de humor da televisão brasileira, que chegou no final da década de 80 com um nova proposta, voltada para o nonsense e na sátira, investindo no besteirol e na quebra de formalidades, usando a própria programação da emissora para pautar seus deboches e quadros cômicos. Ela foi um sucesso que repercute até os dias de hoje, na qual o Wandregleysson Show é visto como o embrião do projeto, que arrebatou os telespectadores nas três temporadas, entre 1988 e 1990 e em 1992.

Criado pelo diretor Guel Arraes e pelo roteirista Cláudio Paiva, TV Pirata foi um dos maiores sucessos do gênero no Brasil, graças ao empenho de uma equipe de roteiristas que incluía Luís Fernando Veríssimo, os cartunistas Laerte e Glauco, Patrícia Travassos e os integrantes do Planeta Diário (Hubert e Reinaldo) e da Casseta Popular (Marcelo Madureira, Bussunda, Helio de La Peña, Claudio Manoel e Beto Silva), sendo o começo de uma união que viria a formar o grupo Casseta & Planeta.

No elenco, atores de teatro e televisão, que aceitaram o desafio de encarar essa comédia inovadora: Marco Nanini, Louise Cardoso, Ney Latorraca, Débora Bloch, Diogo Vilela, Cláudia Raia, Guilherme Karan, Cristina Pereira, Maria Zilda Bethlem, Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães. Na terça-feira, em 5 de abril de 1988, o programa fez sua estreia na Terça Nobre substituindo indiretamente o Viva o Gordo (quando Jô Soares passou para o SBT, seu espaço nas segundas-feiras foi ocupado pela Tela Quente) como principal humorístico da Globo.

O alvo das piadas ácidas do TV Pirata eram as telenovelas, telejornais, programas de entrevistas, esportivos, comerciais e tudo que se passava na telinha. Confira alguns dos momentos clássicos da TV Pirata que são relembrados até hoje:

Fogo no Rabo: Puro escracho da novela Roda de Fogo, que apresentou ao Brasil o personagem Barbosa, vivido por Ney Latorraca, um velhote que sempre repetia a última frase que os outros diziam, logo se tornou o personagem mais popular do programa, sendo lembrado até hoje.

TV Macho: Uma versão debochada da TV Mulher, com Guilherme Karan como Zeca Bordoada, o apresentador grosso toda vida. Foi um dos quadros escritos pelos membro do Casseta & Planeta.

As Presidiárias: Seriado que tinha Cláudia Raia no papel de Tonhão, a prisioneira lésbica, em contraste com sua imagem costumeira de símbolo sexual.

Casal Telejornal: Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães satirizam os apresentadores casados, com brigas matrimonias enquanto liam notícias absurdas.

Recessão da Tarde: Brincadeira com Sessão da Tarde, anunciando filmes como Apertem os cintos… o salário sumiu e Querida, engoli as crianças!

Assista a primeira abertura, 1988.